Sobre as fontes
A vida relatada vem de duas reportagens de Ana Maria Cemin no Bureaucom, de 17 e 20 de janeiro de 2024, com falas da advogada Valquíria Durães, de um filho e de carta coletiva da família; não há entrevista direta com Creuza nem decisão judicial examinada, e parecer da PGR e negativa posterior aparecem apenas pelo relato familiar.
A matriarca que foi a Brasília pedir pelo marido2
Creuza Maria Lisboa Maia Santos, então com 57 anos, era apresentada como a matriarca da família e esposa do pastor Jorge Luiz dos Santos. Casada com Jorge, mãe de cinco filhos, ela morava com ele em Conselheiro Lafaiete, município a 50 km de Ouro Preto, em Minas Gerais. A carta lida depois em Brasília a descreveria como faxineira que, com dificuldade, criou com o marido os cinco filhos.2
O sustento do casal vinha do caldo de cana que Jorge produzia — raspava a cana, moía e fazia o caldo. Esse trabalho era apontado como a única fonte de renda e cobria também o aluguel da casa alugada em Itaverava, comunidade pobre do interior onde ele pregava uma vez por semana. Com a prisão dele em Brasília, a família convidou um pastor amigo para manter o local de oração aberto, a pedido dele.2
Nesse arranjo, Creuza manteve o vínculo semanal com a comunidade. O filho relatou que, todos os domingos, a mãe acompanhava o pastor substituto até Itaverava, como o pai havia pedido. Ele dizia não ir porque precisava vender biscoito de polvilho para ajudar nas despesas da casa, nos honorários da defesa e nos custos do bebê nascido na família naquele período.2
Em 17 de janeiro de 2024, Creuza viajou a Brasília acompanhada dos filhos, integrando um grupo de dez familiares do pastor. O grupo, acompanhado pelas advogadas Valquíria Durães e Carol Siebra, tinha agenda de entrevistas e manifestações, incluindo a leitura de uma carta no Supremo Tribunal Federal marcada para o dia seguinte, 18 de janeiro. A advogada Valquíria informou que os familiares não tinham autorização para visitar Jorge no Papuda e que estavam na capital para divulgar o que consideravam ilegalidades na prisão dele.2
A carta foi lida pelo filho em frente ao STF em 18 de janeiro de 2024 e é assinada pela matriarca Creuza Maria Lisboa Maia Santos, pelos filhos, pela nora e por outros familiares. No texto coletivo, a família dizia estar havia mais de um ano sem ver Jorge, explicando também que ele não queria que guardassem sua imagem dentro do cárcere. O filho acrescentava, em outro momento, que trocavam muitas correspondências com ele, o que compensava o fato de não poderem visitá-lo no presídio por ser muito caro.12
Na mesma carta, os signatários relatavam esperança renovada com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República em setembro e frustração com a negativa em dezembro, que atribuíam a antecedentes de um homônimo. Nenhum parecer, decisão ou registro foi examinado no acervo para confirmar essa alegação. A prisão, a lesão no pulso e os problemas de saúde narrados dizem respeito a Jorge, não se transferindo a Creuza o cárcere, o adoecimento ou as falas de outros parentes.1
O destino conhecido de Creuza no acervo termina nessa mobilização de janeiro de 2024: esposa e mãe que sustenta, com os filhos, a igreja aberta em Itaverava, acompanha o culto aos domingos e assina e acompanha o apelo público pela soltura do marido, sem notícia posterior sobre sua situação.1
Situação documentada
Em Brasília com a família desde 17/01, signatária de carta coletiva lida diante do STF em 18/01/2024 pelo apelo de soltura do marido.1
A trajetória no tempo
17/01/2024
Chega a Brasília com os filhos, em grupo de dez familiares, para agenda de entrevistas e manifestações.2
18/01/2024
Carta familiar assinada por Creuza é lida pelo filho em frente ao STF em apelo pela soltura de Jorge.1
Dados da história
- Formação
- faxineira1
- Idade à época
- 57 anos · 17/01/20242
- Residência informada
- Conselheiro Lafaiete · MG217/01/2024
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
Pena não informada no acervo.
Medidas na trajetória
- Medidas não informadas no acervo.
Efeitos relatados
- Convivência
Relato coletivo assinado por Creuza diz que a família estava há mais de um ano sem ver Jorge; advogada informa falta de autorização de visita e filho cita custo como obstáculo.12
18/01/2024 - Prática religiosa
Segundo o filho, Creuza acompanhava todos os domingos o pastor convidado até Itaverava, a pedido do marido preso.2
17/01/2024
Pedidos e respostas
Leitura e entrega de carta da família destinada ao STF em apelo pela soltura de Jorge2
STF · Pedido em 17/01/2024Resposta não localizada no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Nenhum processo ou pena próprios de Creuza localizados no acervo.
- Vínculo ou local de trabalho como faxineira não detalhados no acervo.
- Resposta do STF à carta da família não comprovada no acervo.
- Notícias posteriores a janeiro de 2024 sobre Creuza não localizadas no acervo.
Fontes
Documento preservado sem título
Ana Maria Cemin · Data não informada
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[Bureaucom] FAMÍLIA CLAMA PELA SOLTURA DE PASTOR EM BRASÍLIA
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 17/01/2024
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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