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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Lucélia Maria Ferreira da Silveira

Comerciante de Catalão e cuidadora do marido, Lucélia voltou a ser presa em julho de 2024 após 81 infrações de tornozeleira e completava 49 dias em Orizona em agosto, entre doença, ratos na cela e pedido de revogação sem resposta.12

Situação conhecida em 27/08/2024 · 2 documentos

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Sobre as fontes

A vida e a saúde relatadas vêm de duas reportagens de Ana Maria Cemin no Bureaucom, de julho e agosto de 2024, com falas da filha Bianca Ferreira Silveira e do advogado Grimoaldo Roberto Resende; os atos processuais vêm dessas mesmas reportagens, sem decisão judicial examinada, e não há entrevista direta com Lucélia nem notícia posterior de soltura ou julgamento no acervo considerado.

A comerciante presa longe da casa que sustentava12

Lucélia Maria Ferreira da Silveira, comerciante de 55 anos de Catalão, voltou a ser presa em 10 de julho de 2024. Naquele dia, a Polícia Federal foi até a empresa dela e, desde então, ela passou a ficar na Unidade Prisional Feminina de Orizona, a 167 km de casa, onde completava 49 dias de cárcere em 27 de agosto de 2024.21

A primeira prisão havia sido em 9 de janeiro de 2023, quando estava acampada no quartel-general em Brasília. Levada com mais de dois mil manifestantes para um ginásio da Polícia Federal, seguiu para o presídio Colmeia, onde ficou dois meses. Saiu com restrições e tornozeleira eletrônica, usada desde março do ano anterior, além da obrigação de assinar no fórum da cidade às segundas-feiras.21

Lucélia mantinha uma loja em Catalão e completava a renda com uma barraca em feiras, onde vendia almofadas, brinquedos e roupas. Era a mantenedora do lar e cuidava do marido de 65 anos, descrito como esquizofrênico e dependente total dela. Mãe de três filhas e avó de seis netos, costumava viajar de madrugada de Catalão a Goiânia para tentar consultas e exames.21

Foram essas rotinas que, segundo a filha Bianca, geraram 81 infrações de horário da tornozeleira. Bianca, de 32 anos, disse que o advogado explicou ao ministro Alexandre de Moraes que as saídas decorreram de questões de saúde, da necessidade de manter a casa, de feiras em Vazante e Ouvidor em abril e maio e de três aniversários de netos, com certidões de nascimento juntadas ao processo. Ela admitiu que a mãe passou do horário alguns dias, mas afirmou que tudo foi explicado e poderia ser comprovado.21

A reportagem atribui a Lucélia síndrome antifosfolipídica, antecedente de trombose, bactéria no estômago e depressão, e diz que a defesa juntou laudos das comorbidades nos autos. Essas condições não foram verificadas em prontuários no acervo. A esquizofrenia mencionada é do marido, não dela.12

Em 27 de agosto de 2024 houve audiência com oitiva e interrogatório. Na ocasião, o advogado Grimoaldo Roberto Resende pediu que fossem revogadas as medidas cautelares e que a cliente saísse do presídio sem tornozeleira, argumentando que não haveria mais risco à instrução. Ele peticionou nos autos logo após a audiência e disse acreditar que, na pior hipótese, a prisão seria convertida em domiciliar. Pedido e expectativa seguem sem concessão comprovada no acervo.1

O advogado relatou situação crítica na cela, com ratos passeando todas as noites, inclusive subindo na cama. Outra saída mencionada seria o Acordo de Não Persecução Penal proposto pelo Ministério Público, que exigiria admitir culpa. Segundo ele, Lucélia deixou claro, inclusive na audiência, que não cometeu crime e não faria acordo. A recusa, motivada por não aceitar culpa, não equivale a absolvição.1

Com a nova prisão, o marido passou a ficar na casa da filha Bianca, por não poder ficar sozinho. A família aguardava o prazo de 15 dias para poder visitar em Orizona e lutava para tirar a matriarca da prisão. Em agosto de 2024 ela aguardava há mais de um ano e meio pelo julgamento, sem notícia posterior de soltura ou sentença no acervo considerado.21

Situação documentada

Presa no Presídio Feminino de Orizona há 49 dias, com pedido de revogação das cautelares apresentado e sem concessão comprovada.1

A trajetória no tempo

09/01/2023

Presa no acampamento do QG em Brasília; levada ao ginásio da Polícia Federal e depois ao presídio Colmeia.2

03/2023

Solta após cerca de dois meses no Colmeia, com restrições e tornozeleira eletrônica.2

04/2024

Participação em feiras em Vazante e Ouvidor, com avanço no horário da tornozeleira.12

10/07/2024

Nova prisão na empresa dela; recolhimento à Unidade Prisional Feminina de Orizona.12

27/08/2024

Audiência com oitiva e interrogatório; defesa pede revogação das cautelares e saída sem tornozeleira, sem concessão comprovada; 49 dias de cárcere.1

Dados da história

Formação
Comerciante1
Idade à época
55 anos · 27/08/20241
Residência informada
Catalão · GO127/08/2024
Local de custódia
Orizona · GO127/08/2024
Processo e pena

Número do processo não localizado no acervo.

Pena não informada no acervo.

Medidas na trajetória
  • Tornozeleira eletrônica

    Tornozeleira eletrônica desde março de 2023, com restrições e assinatura semanal no fórum.2

    Medida histórica · 15/07/2024
  • Prisão preventiva

    Recolhimento na Unidade Prisional Feminina de Orizona desde 10/07/2024; ato judicial não examinado.1

    Desde 10/07/2024 · Informada na data · 27/08/2024
Efeitos relatados
  • Saúde

    Síndrome antifosfolipídica, antecedente de trombose, bactéria no estômago e depressão atribuídas a Lucélia.1

    27/08/2024
  • Trabalho

    Loja em Catalão e vendas em barracas de feiras interrompidas pela prisão.1

    27/08/2024
  • Convivência

    Separada do marido dependente, que passou a ficar na casa da filha após a prisão.21

    15/07/2024
  • Agressão relatada

    Ratos na cela em Orizona, inclusive sobre a cama, segundo relato da defesa.1

    27/08/2024
Pedidos e respostas
  • Revogação das medidas cautelares e saída do presídio sem tornozeleira1

    Alexandre de Moraes · Pedido em 27/08/2024

    Resposta não localizada no acervo.

Documentos e informações ainda não localizados
  • Número do processo e pena não localizados no acervo considerado; inquérito 4921 citado de forma genérica, sem ato individual examinado.
  • Ato judicial que fundamentou o recolhimento de 10/07/2024 não examinado; apenas relato da prisão.
  • Resposta ao pedido de revogação de 27/08/2024 e eventual conversão em domiciliar sem comprovação no acervo.
  • Laudos de comorbidades citados pela defesa não examinados; condições de saúde não verificadas em prontuários.
  • Entrevista direta com Lucélia não localizada; falas são da filha e do advogado reproduzidas em reportagens.

Fontes

  1. [Bureaucom] ESTÁ HÁ 49 DIAS PRESA EM CELA CHEIA DE RATOS

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 27/08/2024

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    Documento preservado parcialmente.

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  2. [Bureaucom] ROTINAS LEVAM PATRIOTA À PRISÃO EM GO

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 15/07/2024

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