Sobre as fontes
A trajetória vem do depoimento em primeira pessoa de Nilvana publicado por Ana Maria Cemin no Bureaucom em abril de 2024, com relato da prisão, da saúde e do julgamento; não há entrevista além desse depoimento nem decisão judicial examinada no acervo, e registros clínicos não foram examinados.
Sete meses no Colmeia e a espera em casa com tornozeleira1
Nilvana Monteiro Furlanetti Ferreira Neto, 51 anos, artesã e costureira de Marília, viajou a Brasília em ônibus que saiu em 6 de janeiro de 2023 e desceu à Esplanada no dia 8. Ela conta que carregava água, vela, fósforo, talheres e comida enlatada, perdeu-se do grupo na revista e, por volta das 14h30, encontrou a praça em confronto, com pessoas desmaiadas na rampa do Palácio do Planalto.1
Ela relata que socorreu pessoas com água dentro e fora do Planalto, entrou no prédio para se proteger, mandou mensagem ao marido e permaneceu ajudando feridos e organizando cadeiras. Descreve ordem para deitar no chão, algemas com enforca-gatos, ameaças e uma discussão entre policiais, com agentes que elevaram a voz em defesa dos detidos e uma policial que chorava enquanto a algemava.1
Detida, Nilvana afirma que ficou sete meses no Presídio Colmeia, em Brasília, em condições insalubres, com alimentos azedos com sujeira, larvas e cacos de vidro, comida largada no chão, frio, humilhação, infecções intestinais e urinárias e perda de 15 kg. Ela diz que sofre de depressão desde criança, pediu a receita do remédio ao ser presa, foi informada de que precisaria de exame psiquiátrico que nunca ocorreu e ficou cinco meses sem medicação, até que uma consulta após sangramento permitiu a entrada da cartela para a doença psiquiátrica.1
Após a prisão física, ela relata que voltou a Marília e passou a usar tornozeleira eletrônica. Conta que, do julgamento virtual de 16 a 23 de fevereiro, saiu condenada a 13,5 anos de cárcere por cinco crimes que diz não ter cometido e aguardava em casa o trânsito em julgado. Diz ainda que, por restrições de horários para sair de casa, não conseguia ir à igreja desde agosto do ano anterior.1
O depoimento registra o retorno à cidade com recepção por familiares e amigos. Nilvana afirma que algo morreu dentro dela em 8 de janeiro e que queria lutar pelas pessoas presas, sem que isso apague os gestos de cuidado relatados no cárcere nem comprove documentação clínica ou o fim das cautelares.1
Situação documentada
Em casa em Marília com tornozeleira eletrônica, aguardando o trânsito em julgado de condenação a 13,5 anos relatada após julgamento de fevereiro.1
A trajetória no tempo
08/01/2023
Ida do QG à Praça dos Três Poderes e entrada no Palácio do Planalto, seguida de detenção relatada.1
02/2024
Julgamento virtual de 16 a 23 de fevereiro, do qual relata ter saído condenada a 13,5 anos de cárcere.1
08/04/2024
Publicação do depoimento em que relata sete meses no Colmeia, cinco meses sem medicação e uso de tornozeleira em casa em Marília.1
Dados da história
- Formação
- Artesã e costureira1
- Idade à época
- 51 anos · 08/04/20241
- Residência informada
- Marília · SP108/04/2024
- Local de custódia
- Brasília · Brasil108/04/2024
Medidas na trajetória
- Tornozeleira eletrônica
Relata uso de tornozeleira eletrônica após sete meses presa, em casa em Marília.1
Informada na data · 08/04/2024 - Deslocamentos restritos
Relata restrições de horários para sair de casa, que a impediam de ir à igreja.1
Informada na data · 08/04/2024
Efeitos relatados
- Saúde
Relata cinco meses sem medicação psiquiátrica no cárcere, até consulta que permitiu a entrada da medicação.1
08/04/2024 - Saúde
Relata perda de 15 kg, infecções intestinais e urinárias e condições insalubres com alimentos com sujeira.1
08/04/2024 - Prática religiosa
Relata não conseguir ir à igreja desde agosto por restrições de horários para sair de casa.1
08/04/2024
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Sentença, trânsito em julgado e execução não confirmados por decisão judicial examinada; só há relato da condenação.
- Datas de início e fim da prisão física e da monitoração eletrônica não localizadas no acervo.
- Pedidos de assistência, revogação ou domiciliar não localizados como atos formais no acervo.
- Registros clínicos da depressão preexistente e dos agravos relatados não examinados.
Fontes
[Bureaucom] O 8/01 MATOU ALGUMA COISA DENTRO DE MIM
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 08/04/2024
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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