Sobre as fontes
A vida relatada vem de um relato em primeira pessoa de Mônica Murca Neris Sodré, publicado em agosto de 2025 e reproduzido em reportagem, sem entrevista direta adicional examinada; os atos processuais citados no acervo geral não foram confirmados como sendo desta pessoa e a decisão judicial não foi examinada, faltando número de ação penal, íntegra da sentença e comprovação de refúgio ou extradição.
A cozinheira que trocou a tornozeleira pelo exílio1
Mônica Murca Neris Sodré apresenta-se como cozinheira de Campinas, São Paulo, casada há 25 anos com Sílvio, chamado de Alemão. Ela conta que, desde o período eleitoral até 5 de janeiro de 2023, permaneceu em um acampamento cozinhando para manifestantes, preparando nos fins de semana cerca de 500 marmitas com ajuda de outra mulher.1
Ela relata ter ficado presa de 8 de janeiro a 9 de agosto de 2023, que descreve como sete meses de dor, silêncio e resistência. Diz que o marido permaneceu todos os dias na porta do Presídio Colmeia, mas não pôde visitá-la, nem virtualmente, porque não havia tomado vacina, exigida até para chamadas online. Isolada, ela afirma que falava apenas com advogados duas vezes por semana, sem ver a família.1
Durante a custódia, segundo seu relato, o marido vendia os bens da família para manter a casa e permanecer perto dela. A empresa de ferro-velho foi se desfazendo, e ele passou a trabalhar como motorista de aplicativo em Brasília e depois como motorista em Campinas, quando ficaram sem nada.1
Mônica diz ter sido condenada a 14 anos de prisão. Afirma ter cumprido sete meses no presídio e depois ter sido levada ao CIME, onde recebeu tornozeleira eletrônica, passando nove meses em casa, monitorada e proibida de sair aos fins de semana. Ela distingue essa pena do tempo efetivamente cumprido sob custódia e monitoração.1
Após a saída, ela conta que tentou recomeçar e conseguiu trabalho com uma ex-patroa, cuidando dela e do marido, dois idosos. Descreve medo constante, com as filhas chorando a cada batida no portão por temerem que fosse a polícia, enquanto acompanhavam novas prisões.1
Ela situa em março de 2024, no mês de seu aniversário, a saída de sua condenação definitiva. Diz que a família passou então a convencê-la a deixar o país, o que ela não queria, e que o marido deixou de ir para casa por dizer que não suportaria vê-la presa novamente.1
A decisão de partir teve custo familiar direto. Ela relata não ter podido estar presente no casamento da filha Rebeca, acompanhando tudo por videochamada, nem no nascimento da neta Alice. Depois, por meio de rifa vendida pelas filhas e pelo genro, que viajaram de carro, ela pôde conhecer a neta, que completou um ano naquele mês, sentindo alegria imensa ao pegá-la no colo, seguida de saudade multiplicada e vontade quase insuportável de voltar para casa.1
Na Argentina, onde diz viver com o marido e uma filha, ela conta que tenta recomeçar fazendo pães de mel e trufas, vendidos com ajuda de outra pessoa, e que criou um perfil de doces brasileiros. Afirma que o marido, antes empresário no Brasil, trabalha ali como pedreiro.1
O destino conhecido é o de uma vida contida. Ela afirma que seu nome está em lista de extradição, que não participa de atividades na escola da filha e que não sai de casa enquanto o presidente argentino não se pronunciar, vivendo entre quatro paredes, com o coração preso ao Brasil. Pede para voltar para casa, abraçar as filhas sem medo e viver sem tornozeleira, exílio e silêncio.1
Situação documentada
Na Argentina em agosto de 2025, vivendo com o marido e relatando reclusão voluntária por medo de extradição, fazendo doces para sustento.1
A trajetória no tempo
08/01/2023
Início do período de custódia relatado no Presídio Colmeia.1
09/08/2023
Saída do presídio relatada, após sete meses de custódia.1
03/2024
Condenação definitiva relatada como ocorrida no mês de seu aniversário.1
09/08/2025
Relato publicado desde a Argentina, onde diz viver com o marido, fazer doces e permanecer em casa por medo de extradição.1
Dados da história
- Formação
- cozinheira e cuidadora1
- Idade à época
- 38 anos · 09/08/20251
- Origem informada
- Campinas · SP109/08/2025
- Residência informada
- Argentina109/08/2025
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
14 anos de pena.1
Fim do julgamento: 03/2024.
Medidas na trajetória
- Execução em regime fechado
Sete meses em presídio, de 8 de janeiro a 9 de agosto de 2023, no Presídio Colmeia.1
Medida histórica · 09/08/2025 - Tornozeleira eletrônica
Tornozeleira eletrônica com nove meses em casa, monitorada.1
Medida histórica · 09/08/2025 - Prisão domiciliar
Nove meses em casa, monitorada, após saída do presídio.1
Medida histórica · 09/08/2025 - Deslocamentos restritos
Proibição de sair aos fins de semana durante a monitoração.1
Medida histórica · 09/08/2025
Efeitos relatados
- Trabalho
Trabalhou como cuidadora de casal de idosos após a saída.1
09/08/2025 - Trabalho
Na Argentina, produz pães de mel e trufas para sustento.1
09/08/2025 - Convivência
Marido não conseguiu visitá-la durante a custódia, ficando isolada da família.1
09/08/2025 - Convivência
Acompanhou casamento familiar por videochamada, sem estar presente.1
09/08/2025 - Patrimônio
Família vendeu bens para manter despesas e empresa de ferro-velho se desfez.1
09/08/2025
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Número da ação penal e situação processual individual não confirmados no acervo; menções nominais em listas não validadas.
- Íntegra da sentença, regime, multa e indenização não localizados; apenas pena relatada pela própria pessoa.
- Datas de início e fim da monitoração eletrônica e das restrições de saída não localizadas além dos períodos relatados.
- Reconhecimento formal de refúgio e ordem de extradição não comprovados; apenas relato de lista e medo.
- Entrevista direta além do relato reproduzido e decisão primária não examinadas no acervo.
Fontes
9885-exilio-com-sabor-de-saudade-a-cozinheira-que-o-b.md
Ana Maria Cemin · 09/08/2025
Documento preservado parcialmente.
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