Sobre as fontes
A trajetória vem de entrevista direta de Mateus a Ana Maria Cemin, publicada pelo Bureaucom em março de 2025, de onde saem os relatos sobre a ida a Brasília, a detenção e as cautelares; os andamentos do julgamento virtual para ampliação das imputações vêm do relato editorial da mesma autora, sem decisão judicial examinada e sem documentos primários sobre horários, lotação ou tornozeleira.
Quatro meses na Papuda e o medo de voltar a ser preso1
Mateus Viana Maia, 28 anos, morador de Vila Velha, no Espírito Santo, descreveu em março de 2025 a angústia de aguardar a possível ampliação das acusações contra ele no Supremo Tribunal Federal. Ele dizia temer passar a responder por cinco crimes e associava esse cenário a penas de 14 a 17 anos observadas em outros casos, sem que aquela fosse uma condenação já imposta a ele.1
Sobre o 8 de janeiro, Mateus sustenta que ainda estava fora de Brasília quando a invasão começou, por volta das 13 horas. Conta que estava no Restaurante Garrote, em Cristalina, Goiás, de onde teria saído às 14h40, chegando ao QG de Brasília às 17h40, em sua primeira vez na capital.1
Ele afirma que foi à Praça dos Três Poderes por curiosidade, por volta das 18h30, e nega ter invadido, usado força física ou quebrado algo. Diz ter ficado olhando a manifestação e ter voltado ao QG às 19h30, quando a polícia já cercava o local.1
Mateus conta que dormiu no QG até as 6 horas da manhã do dia 9 de janeiro, quando Exército e polícia determinaram o embarque em ônibus para uma suposta triagem, com promessa de liberação para voltar para casa. Segundo ele, em vez disso houve voltas por Brasília e condução à Academia da Polícia Federal.1
Ele descreve mais de 2 mil pessoas reunidas, dormindo no chão, sem lugar digno para deitar e com comida ruim trazida em marmita, após um dia sem comer. Depois de dois dias dormindo no chão, diz ter passado por triagem com um delegado, que apreendeu seu celular, mandou assinar um papel e deu voz de prisão.1
O destino relatado foi a Penitenciária da Papuda, onde afirma ter ficado quatro meses em cela com capacidade para oito pessoas, ocupada por 22, dormindo como era possível. Diz que a audiência de custódia ocorreu três semanas depois da prisão e que a espera na cela era marcada pela saída de alguns e permanência de outros, com expectativa a cada dia seguinte.1
Mateus afirma ter recebido o alvará de soltura no dia 8 de maio, após quatro meses preso. O relato distingue o alvará da saída física, sem permitir tratar as duas datas como necessariamente iguais.1
Após sair, ele diz usar tornozeleira eletrônica até a data da entrevista, comparecer ao fórum às segundas-feiras para assinar presença e poder sair de casa somente de segunda a sexta-feira, entre 6 e 20 horas. Eram restrições que organizavam seus dias e deslocamentos.1
Antes dos fatos, ele diz que era vigilante e que nunca havia sido preso. No relato de março de 2025, afirma trabalhar como motorista de aplicativo.1
A angústia relatada em março de 2025 vinha do julgamento virtual sobre o aditamento da denúncia. O texto publicado em 27 de março dizia que, até a metade daquela quinta-feira, havia votos de Moraes, Toffoli, Zanin, Cármen Lúcia, Dino e Nunes Marques no sistema do STF, com somente Nunes Marques contra o aditamento. Outro texto, de 21 de março, explicava que Mateus e outros três nomes passavam por julgamento para se tornarem réus por crimes graves, sem definição de pena naquele momento, com encerramento previsto para o dia 28.12
Situação documentada
Em março de 2025, Mateus relatava usar tornozeleira e cumprir cautelares enquanto aguardava a conclusão do julgamento sobre o aditamento da denúncia, sem condenação à pena de 14 a 17 anos noticiada como projeção.1
A trajetória no tempo
09/01/2023
Detenção no QG de Brasília pela manhã, após noite no acampamento, com condução posterior à Academia da Polícia Federal, segundo relato de Mateus.1
05/2023
Alvará de soltura recebido no dia 8 de maio, após quatro meses preso, segundo relato de Mateus.1
21/03/2025
Início dos julgamentos virtuais para que Mateus e outros três se tornassem réus por crimes graves, sem definição de pena naquele ato.2
27/03/2025
Relato de angústia com o possível aditamento para cinco crimes, com votos já lançados no sistema do STF e somente Nunes Marques contra.1
Dados da história
- Formação
- motorista de aplicativo1
- Idade à época
- 28 anos · 27/03/20251
- Residência informada
- Vila Velha · ES127/03/2025
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
Pena não informada no acervo.
Medidas na trajetória
- Prisão preventiva
Prisão com quatro meses na Penitenciária da Papuda após detenção no QG e passagem pela Academia da PF.1
Medida histórica · 05/2023 - Tornozeleira eletrônica
Uso de tornozeleira eletrônica após saída da Papuda, mantido até março de 2025 no relato.1
Informada na data · 27/03/2025 - Deslocamentos restritos
Saídas de casa limitadas a segunda a sexta-feira, entre 6 e 20 horas, com presença semanal no fórum às segundas.1
Informada na data · 27/03/2025
Efeitos relatados
- Convivência
Restrição de horários e dias para sair de casa, com comparecimento semanal ao fórum.1
27/03/2025 - Saúde
Sofrimento emocional relatado durante os quatro meses em cela na Papuda.1
27/03/2025
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Número do processo, situação do aditamento após março de 2025 e pena não localizados no acervo.
- Data efetiva da saída física após o alvará de 8 de maio não distinguida no acervo.
- Datas de início e fim da tornozeleira e das demais cautelares não localizadas no acervo.
- Decisão judicial primária sobre prisão, soltura e aditamento não examinada no acervo.
Fontes
[Bureaucom] JOVEM NARRA O HORROR DO SEU JULGAMENTO
Ana Maria Cemin · 27/03/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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[Bureaucom] PICHAR COM BATOM LEVA À PENA DE 14 ANOS
Ana Maria Cemin · 21/03/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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