Sobre as fontes
A trajetória vem de uma reportagem de dezembro de 2024 que reproduz carta escrita pelo próprio David e traz fala de sua esposa Simone; os atos processuais e a pena de 17 anos aparecem apenas como informação dessa reportagem, sem decisão judicial examinada no acervo e sem entrevista direta além da carta.
Preso pela segunda vez, longe da oficina e de casa1
Na virada de 2024 para 2025, David Michel Mendes Maurício estava preso pela segunda vez por ter estado em Brasília no 8 de janeiro. A reportagem resumia assim o caminho até ali: uma temporada de sete meses dentro do Presídio Papuda e dez meses em casa com tornozeleira eletrônica, e depois novamente quase sete meses preso, dessa vez no Complexo Médico Penal de Pinhais, no Paraná.1
David se apresenta na carta pelo nome completo e como filho de um casal de pastores que fez muito por Paranaguá, no litoral do Paraná. Diz ser pastor desde 2008, ano em que se casou com Simone. Antes de abrir uma pequena construtora que não deu certo, ele conta que se profissionalizou em estética automotiva, e que o serviço que era só um hobby se tornou uma empresa e foi a fonte de renda da família até o 8 de janeiro.1
Ele relata ter chegado à capital federal às 23 horas do dia 7 de janeiro de 2023, com viagem custeada por ele e na companhia de amigos, com a intenção de se manifestar e de fazer transmissões sobre o trabalho e a situação política do país para seguidores. No dia seguinte, 8 de janeiro, acompanhou a multidão em direção à Praça dos Três Poderes após orientação de militares no acampamento e escolta da polícia, passando por revista antes da região dos ministérios.1
Sobre a tarde na praça, David afirma que invasão ou depredação nunca foram cogitadas, que era nítida uma minoria depredando e que falou várias vezes na própria transmissão para não quebrar e não invadir. Diz ter entrado no Planalto por curiosidade para filmar e para se proteger do confronto do lado de fora, onde viu pessoas idosas se abrigando, com orações e cânticos, até o cerco pelo Exército e pela tropa de choque.1
Ele descreve bombas de gás lançadas para dentro do Planalto, bateria do celular esgotada, medo e sensação de que desmaiaria por várias vezes, ordem para que todos deitassem diante de policiais fortemente armados e prisão no local. Em sua versão, entrou para se proteger e fazer uma transmissão, sem ter quebrado nada, e afirma que nenhuma prova contra ele foi apresentada. Essa alegação é a posição dele na carta, não uma conclusão verificada por documento judicial no acervo.1
A primeira prisão marcou a família. David diz que ficou sete meses no Papuda sem contato com a família no Paraná, sustentando que era ele quem mantinha a casa e que os filhos sofriam e adoeciam. Simone precisou assumir sozinha o trabalho, com peso que ela não conseguiu suportar, e a pequena empresa foi perdida. A reportagem acrescenta que a família depende do trabalho dele, não teve auxílio-reclusão e passou a ser ajudada por familiares e amigos.1
Entre as duas prisões físicas, veio o período com tornozeleira. David diz ter ficado dez meses em liberdade monitorada, tempo em que pôde estar perto da família, participar do aniversário da filha, então com sete anos, depois de ter perdido a festa anterior por estar no Papuda. Ele relata ainda ter usado por dois dias duas tornozeleiras ao mesmo tempo, uma de Brasília e outra do Paraná.1
Na nova prisão, já no Paraná, David diz que orava por pessoas no presídio, ajudava espiritualmente os presos ao redor e trabalhava mesmo preso, sem detalhar a atividade. Fala do reencontro parcial com a família nas cautelares e, ao mesmo tempo, da perda de outro aniversário, o do filho de onze anos, agora com a segunda prisão. A carta termina com o apelo direto aos parlamentares para aprovarem a anistia, dizendo que nada fez para ser anistiado, mas que seria o caminho para sair dali, e descrevendo o sofrimento dele e dos filhos.1
No momento da publicação, ele havia sido transferido recentemente do Complexo Médico Penal de Pinhais para o Complexo Penitenciário de Piraquara, onde ficaria incomunicável por trinta dias. A esposa Simone dizia não conseguir visita nem videoconferência e se dizia muito preocupada. O acervo não informa o que aconteceu depois desse corte de dezembro de 2024.1
Situação documentada
Preso no Complexo Penitenciário de Piraquara, após transferência de Pinhais, com previsão de 30 dias incomunicável, sem visita nem videoconferência.1
A trajetória no tempo
07/01/2023
Chegada a Brasília às 23 horas, com grupo de amigos, para manifestação e transmissões.1
08/01/2023
Ida à Praça dos Três Poderes, entrada no Planalto para filmar e se proteger, cerco e prisão no local, segundo relato em carta.1
28/12/2024
Reportagem informa segunda prisão em curso, após sete meses no Papuda, dez meses com tornozeleira e quase sete meses no Complexo Médico Penal de Pinhais.1
28/12/2024
Transferência recente para o Complexo Penitenciário de Piraquara, com 30 dias de incomunicabilidade relatados.1
Dados da história
- Formação
- pastor e profissional de estética automotiva1
- Idade à época
- 36 anos · 28/12/20241
- Origem informada
- Paranaguá · PR128/12/2024
- Local de custódia
- Pinhais · PR128/12/2024
- Local de custódia
- Piraquara · PR128/12/2024
- Local de custódia
- Brasil128/12/2024
Medidas na trajetória
- Execução em regime fechado
Segunda prisão física em curso no Paraná, após primeira passagem de sete meses no Papuda.1
Informada na data · 28/12/2024 - Tornozeleira eletrônica
Dez meses em casa com tornozeleira entre as prisões, com dois dias de uso simultâneo de monitores de Brasília e do Paraná.1
Medida histórica · 28/12/2024 - Visitas restritas
Incomunicabilidade por 30 dias em Piraquara, sem visita nem videoconferência segundo a esposa.1
Informada na data · 28/12/2024
Efeitos relatados
- Trabalho
Perda da pequena empresa de estética automotiva, fonte de renda familiar, após prisão e sobrecarga da esposa.1
28/12/2024 - Convivência
Período perto da família nas cautelares, com presença em aniversário da filha, seguido de nova separação e perda de aniversário do filho; incomunicabilidade em Piraquara.1
28/12/2024 - Prática religiosa
Oração por pessoas no presídio e ajuda espiritual a presos ao redor.1
28/12/2024 - Patrimônio
Família sem auxílio-reclusão, sustentada por familiares e amigos após perda da empresa.1
28/12/2024
Pedidos e respostas
Apelo a deputados e senadores para aprovarem a anistia1
Deputados e Senadores · Pedido em 28/12/2024Resposta não localizada no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Número da ação penal e teor da sentença não localizados no acervo; pena conhecida apenas por informação de reportagem.
- Datas de início e fim das prisões e do monitoramento não localizadas; durações relatadas em meses sem marcos exatos.
- Documentos de execução e de transferência entre Pinhais e Piraquara não examinados.
- Resposta ao apelo por anistia não localizada no acervo.
- Composição familiar detalhada não aproveitada para preservar menores; nomes de filhos omitidos.
- Entrevista direta além da carta reproduzida não localizada no acervo.
Fontes
[Bureaucom] PASTOR PRESO CLAMA AOS POLÍTICOS PELA ANISTIA
Ana Maria Cemin · 28/12/2024
Documento preservado parcialmente.
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