Sobre as fontes
Vida e saúde relatadas vêm de entrevista de Mateus Tenório da Silva Cunha reproduzida por Ana Maria Cemin no Bureaucom; os marcos de prisão, saída e tornozeleira vêm desse mesmo relato e do texto da reportagem. Não há decisão judicial, autos ou entrevista independente examinados, e faltam documentos sobre o processo e o acordo mencionado.
Dois meses na Papuda e um despejo à espera na volta1
Mateus Tenório da Silva Cunha tinha 25 anos quando contou, em agosto de 2024, que os 19 meses desde a prisão em Brasília tinham sido os piores de sua vida. Ele dizia sentir o psicológico abalado, a saúde financeira caótica e a sensação de continuar preso mesmo fora do cárcere.1
Morador de Curitiba desde 2019, onde trabalhava em um açougue, ele relatou ter ido a Maceió em junho de 2022 para visitar os avós doentes e ter permanecido por causa do contexto pós-eleitoral. Em 15 de novembro chegou ao acampamento do QG em Brasília, onde já namorava a jovem que depois se tornaria sua esposa.1
Ele afirmou que recebeu conterrâneos em Brasília na tarde de 8 de janeiro, permaneceu no acampamento e não desceu à Praça dos Três Poderes. Na madrugada de 9 para 10 de janeiro, na oitiva no Ginásio da Polícia Federal, o casal soube que estava preso: ele foi para a Papuda e ela para a Colmeia, onde segundo ele ficaram dois meses com pouca comunicação com o mundo exterior e pouco tempo com advogado.1
A reportagem situa a saída dos presídios em março do ano anterior à publicação, ou seja, março de 2023. Ao voltar, Mateus contou que havia sido despejado do imóvel em Curitiba por falta de pagamento do aluguel e que seus pertences foram parar na rua. Decidiu ficar em Maceió com ajuda inicial do pai; a namorada foi morar com ele, casaram-se e iniciaram com um amigo uma produção de pizzas que dava para pagar as despesas.1
Mesmo assim, ele dizia que nenhum dos dois tinha conseguido retomar a vida. Ambos usavam tornozeleira eletrônica, que segundo o relato intimidava, limitava circulação e horários de saída e deixava o casal com sensação de estar de mãos atadas e sob pressão o tempo todo.1
Diante disso, Mateus anunciava a decisão de aceitar o Acordo de Não Persecução Penal proposto pelo Ministério Público para deixar de ser réu do 8 de janeiro, dizendo que assumiria uma culpa que afirmava não ter. O texto falava em meses pela frente até cumprir exigências do acordo e retirar a tornozeleira, sem demonstrar assinatura, homologação ou fim do processo.1
Situação documentada
Usava tornozeleira eletrônica em Maceió após dois meses preso, relatava vida estagnada e anunciava intenção de aceitar o ANPP, sem acordo concluído demonstrado.1
A trajetória no tempo
01/2023
Preso em Brasília após o 8 de janeiro; oitiva na madrugada de 9 para 10 de janeiro, com ida para a Papuda.1
03/2023
Saída da prisão relatada; retorno para casa e mudança para Maceió após despejo em Curitiba.1
06/08/2024
Em entrevista, relata abalo psicológico e financeiro, uso de tornozeleira e intenção de aceitar o ANPP.1
Dados da história
- Formação
- Trabalhava em açougue em Curitiba; depois iniciou produção de pizzas em Maceió1
- Idade à época
- 25 anos · 06/08/20241
- Residência informada
- Maceió · AL106/08/2024
- Local de custódia
- Brasília · DF101/2023
Medidas na trajetória
- Tornozeleira eletrônica
Uso de tornozeleira eletrônica relatado, com limitação de circulação e horários.1
Informada na data · 06/08/2024
Efeitos relatados
- Saúde
Relata psicológico abalado e sensação de continuar preso.1
06/08/2024 - Patrimônio
Relata despejo em Curitiba e perda dos pertences durante a prisão.1
06/08/2024 - Trabalho
Reportagem afirma que o casal não conseguiu retomar a vida; passou a produzir pizzas para pagar despesas.1
06/08/2024 - Convivência
Relata uso de tornozeleira que intimida e limita circulação e horários de saída.1
06/08/2024
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Pena, julgamento e trânsito em julgado não localizados no acervo.
- Assinatura, homologação ou resultado do ANPP anunciado não localizados no acervo.
- Fundamento e datas formais da prisão de dois meses não localizados; apenas relato de permanência.
- Decisão judicial primária e notícias posteriores a 2024-08-06 não examinadas no acervo.
Fontes
[Bureaucom] “ME FIZERAM AGONIZAR, MAS CONTINUO DE PÉ”
Ana Maria Cemin · 06/08/2024
Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6 ↩ Voltar 7 ↩ Voltar 8 ↩ Voltar 9 ↩ Voltar 10 ↩ Voltar 11 ↩ Voltar 12 ↩ Voltar 13 ↩ Voltar 14 ↩ Voltar 15 ↩ Voltar 16 ↩ Voltar 17 ↩ Voltar 18 ↩ Voltar 19 ↩ Voltar 20 ↩ Voltar 21 ↩ Voltar 22
Você pode solicitar alterações nas informações ou a retirada deste perfil.