Sobre as fontes
A trajetória vem de uma reportagem de Ana Maria Cemin no Bureaucom, publicada em abril de 2024, que reproduz o relato de José Leonaldo dos Santos Silva sobre prisão e recomeço; os atos processuais aparecem apenas como contexto da reportagem e não há decisão judicial examinada nem entrevista direta além desse relato reproduzido.
Preso por quatro meses, perdeu o escritório e recomeçou com tornozeleira1
José Leonaldo dos Santos Silva, 51 anos, alagoano que disse ter servido no Exército em Maceió de 1991 a 1997, saiu de carro com amigos do QG do Farol, em Maceió, no dia 7 de janeiro para acampar no QG de Brasília. Chegou à capital no dia 8, montou barraca com os amigos e, ao saber de confrontos na Praça dos Três Poderes, decidiu ir ao local conferir de perto.1
Na Esplanada, ele descreveu gás, helicópteros, tiros e bombas, disse ter gritado contra soldados que atacavam mulheres e crianças e relatou ter sido ferido na barriga por bala de borracha. Depois voltou com os amigos ao acampamento, onde, de madrugada, militares à paisana teriam avisado que todos seriam presos ao amanhecer.1
Na manhã seguinte o QG estava cercado e ele foi conduzido em ônibus ao Ginásio da Polícia Federal. Ele conta que pediu banheiro para as mulheres, discutiu com um policial que disse que preso não tinha direito à voz e, após intervenção de um coronel, foram formadas filas separadas. Na triagem, após ligar para o advogado, teve o celular tomado e recebeu voz de prisão.1
José, que é diabético e disse carregar remédios e não poder ficar longas horas sem alimentação, lembra de ter passado da hora do almoço do dia 9 de janeiro sem alimento para uma multidão. Ele diz lembrar de ver uma senhora de cerca de 75 anos morrer no ginásio, com parada cardíaca confirmada pelos bombeiros na versão dele; a reportagem não identifica a pessoa nem traz confirmação independente, e nenhum novo óbito é afirmado aqui.1
À 1h30 do dia 10 de janeiro, passou por exame de corpo de delito e foi levado ao Presídio da Papuda. Descreveu nudez forçada na entrada, cela 6B pequena para 20 presos com apenas quatro beliches, falta de privacidade, água entrando em dias de chuva, restrição de pátio e pouca medicação. Depois de um mês e meio foi transferido para outra cela com 13 presos. Relata ajuda de um médico também preso, Dr. Frederico, que socorria detentos, e episódios de adoecimento de outros presos, que não são atribuídos a José.1
Depois de quatro meses preso, diz ter perdido o escritório de representação e estar recomeçando como representante de planos de saúde e seguro de carros, com CNPJ mantido e pequena equipe de vendas, mas ainda sob tornozeleira eletrônica e outras cautelares. Conta que o casamento de 32 anos terminou, sem atribuir causalidade exclusiva ao encarceramento, e que conta com apoio da filha Letícia, do neto Raphael e da Associação dos Familiares das Vítimas de 8 de janeiro. Diz não ter aceitado o Acordo de Não Persecução Penal por entender que não fez nada de errado, posição pessoal que não comprova inocência nem pena aplicada.1
Situação documentada
Em abril de 2024, recomeçando a vida profissional com CNPJ e pequena equipe, ainda sob tornozeleira eletrônica e outras cautelares; evolução posterior desconhecida.1
A trajetória no tempo
08/01/2023
Chegada a Brasília com amigos e ida à Esplanada, onde relata ter sido ferido por bala de borracha.1
09/01/2023
Condução do QG em ônibus ao Ginásio da Polícia Federal, triagem e voz de prisão.1
10/01/2023
Exame de corpo de delito de madrugada e condução ao Presídio da Papuda.1
15/04/2024
Relato publicado de recomeço profissional com tornozeleira eletrônica, após quatro meses de prisão e perda do escritório.1
Dados da história
- Formação
- Representante de planos de saúde e seguro de carros1
- Idade à época
- 51 anos · 15/04/20241
- Origem informada
- Maceió · AL115/04/2024
Medidas na trajetória
- Prisão preventiva
Quatro meses preso após condução ao Presídio da Papuda, segundo relato.1
Medida histórica · 15/04/2024 - Tornozeleira eletrônica
Uso de tornozeleira eletrônica após saída do presídio, com outras cautelares.1
Informada na data · 15/04/2024
Efeitos relatados
- Trabalho
Perda do escritório de representação após quatro meses preso.1
15/04/2024 - Trabalho
Limitações na retomada como representante comercial pelo uso de tornozeleira eletrônica.1
15/04/2024 - Saúde
Diabetes com necessidade de levar remédios e de não ficar longas horas sem alimentação.1
15/04/2024 - Convivência
Fim do casamento de 32 anos, segundo o narrador, e apoio da filha Letícia e do neto Raphael.1
15/04/2024
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Pena, julgamento e trânsito em julgado não localizados no acervo vinculado.
- Datas de início e fim da prisão e da monitoração eletrônica não localizadas no acervo.
- Ato judicial que ordenou prisão e cautelares não examinado no acervo.
- Sem entrevista direta além do relato reproduzido na reportagem; sem notícias posteriores à publicação de abril de 2024.
Fontes
[Bureaucom] 8/01: O DIFÍCIL RECOMEÇO DEPOIS DO CAOS
Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada
Documento preservado parcialmente.
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