Sobre as fontes
Vida e saúde vêm de carta da própria Marileide reproduzida por Ana Maria Cemin no Bureaucom, com abertura editorial da jornalista; os atos processuais vêm dessa mesma reportagem, sem exame dos autos ou de documentos clínicos originais. Não há entrevista direta além da carta.
Sete meses presa com o braço em risco1
Marileide Marcelino da Silva apresenta-se como enfermeira de 54 anos, criada em berço cristão, mãe solo, que fazia trabalhos sociais em presídios e cantava em igrejas de várias denominações.1
Ela conta que descobriu um câncer de mama quando o filho tinha 2 anos e 10 meses, perdeu emprego e casa, e venceu a doença com sequelas: foram retirados 18 nódulos da axila e o quadro evoluiu para linfangite repetitiva e trombose no braço direito, sendo destra, com limitações para pegar um bebê no colo ou bordar, uso de braçadeira, gelo, drenagem e medicações continuadas.1
A convite de uma senhora cristã, foi a Brasília para orar pelos governantes e, em 8 de janeiro de 2023, seguiu a multidão cantando louvores pelo Eixo Monumental, subiu a rampa e entrou em um prédio para se abrigar do gás, onde permaneceu orando até ser conduzida por um policial a uma sala.1
Ela relata cerca de 20 horas sem água e alimentação até as marmitas trazidas em 9 de janeiro por volta das 14h30, passagem pelo Instituto Médico Legal e condução ao Presídio Colmeia, onde diz ter ficado sete meses.1
No Colmeia, descreve 147 mulheres com um chuveiro frio, falta inicial de roupas, dez dias sem banho por medo, nove dias trancadas sem ver o sol, revista com nudez que viveu como constrangimento após a cirurgia, filas para vaso e tanque, comida azeda e com sujidades, e roupas de cama sete meses sem lavar porque não podia esfregar devido ao braço.1
Sobre o braço, conta que em 1º de abril acordou com inchaço, vermelhidão, febre e dor, foi levada ao corró e devolvida à ala por falta de efetivo, e ficou implorando por médico por 12 dias, cuidada nas madrugadas por Nilma Lacerda com garrafas de água gelada e espuma para elevar o braço, até conseguir consulta no Núcleo de Saúde, cuja médica lhe fez declaração para permanecer à sombra no pátio.1
Ela diz ainda ter gastrite crônica sem receber a dieta prescrita, tonturas, dores, pressão oscilando, crises de choro, pânico de morrer sem socorro e perda de 10 kg, além de sete meses sem ouvir a voz do único filho e sem ligação ou cartas, escrevendo em papelão de achocolatado, sem óculos para ler a Bíblia.1
Em 9 de agosto recebeu alvará de soltura e passou a usar tornozeleira eletrônica, deixando de ir a cultos, na maioria à noite, por medo de não chegar em casa até as 19 horas, saindo só para consultas e exames; perdeu o convênio e, desde 15 de agosto de 2023, lutava no SUS por angiologista e doppler do braço sem conseguir o exame.1
A reportagem noticia que em 12 de abril o Supremo Tribunal Federal a condenou a 14 anos de prisão, sendo 12,6 anos de reclusão e 1,5 ano de detenção, além de 100 dias-multa e indenização mínima de R$ 30 milhões solidária entre condenados.1
Situação documentada
Em carta datada de 13 de abril de 2024, Marileide relatava viver com tornozeleira após sete meses presa e noticiava condenação a 14 anos na véspera; evolução posterior desconhecida.1
A trajetória no tempo
08/01/2023
Seguiu a multidão cantando louvores em Brasília.1
09/01/2023
Após horas sem água e alimentação, recebeu marmita e foi levada ao IML e depois ao Presídio Colmeia.1
01/04/2023
Acordou com braço inchado, vermelho, com febre e dor; relata 12 dias implorando por médico.1
09/08/2023
Recebeu alvará de soltura e passou a usar tornozeleira eletrônica.1
15/08/2023
Passou a lutar no SUS por angiologista e doppler do braço, sem conseguir o exame até a carta.1
12/04/2024
Pena de 14 anos noticiada pela reportagem.1
13/04/2024
Carta datada em São Paulo relatando a trajetória.1
Dados da história
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
14 anos de pena; 100 dias-multa; Indenização coletiva de R$ 30.000.000, solidária entre condenados.1
Fim do julgamento: 12/04/2024.
Medidas na trajetória
- Tornozeleira eletrônica
Uso de tornozeleira eletrônica após alvará de soltura, com necessidade de estar em casa até as 19 horas.1
Informada na data · 13/04/2024
Efeitos relatados
- Saúde
Sequelas do tratamento de câncer: retirada de 18 nódulos, linfangite repetitiva e trombose no braço direito.1
13/04/2024 - Saúde
Crise no braço em 1º de abril com inchaço, vermelhidão, febre e dor, com relato de 12 dias pedindo médico.1
04/2023 - Saúde
Tonturas, dores, pressão oscilando e perda de 10 kg no cárcere, com gastrite crônica sem dieta prescrita recebida.1
13/04/2024 - Convivência
Sete meses sem ouvir a voz do único filho e sem ligação ou cartas à família.1
13/04/2024 - Prática religiosa
Deixou de frequentar cultos por medo de descumprir o horário da tornozeleira às 19 horas.1
13/04/2024 - Patrimônio
Perda do convênio médico e dificuldade de obter angiologista e doppler pelo SUS.1
13/04/2024
Pedidos e respostas
Passar em consulta médica no presídio1
Destinatário não informadoConsulta obtida após repetidos requerimentos
Documentos e informações ainda não localizados
- Município de residência não localizado no acervo.
- Número da ação penal e tribunal de origem não localizados no acervo.
- Decisão judicial primária da pena não examinada; apenas notícia da condenação.
- Fundamento e datas formais da prisão de sete meses não localizados no acervo.
- Situação posterior a 13/04/2024 não localizada no acervo.
Fontes
[Bureaucom] FICOU 7 MESES PRESA E RECEBEU PENA DE 14 ANOS DO STF
Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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