Sobre as fontes
a trajetória vem de uma única entrevista com a mulher, sem nome publicado, reproduzida por Ana Maria Cemin no Bureaucom em outubro de 2023; os atos processuais não têm decisão examinada e não há entrevista adicional nem documentos primários no acervo.
Do QG à Colmeia, uma vida a retomar aos poucos1
A entrevistada, mantida sem nome publicado, conta que chegou a Brasília na noite de 8 de janeiro, acampou no QG e acordou na manhã de 9 de janeiro com ordem para deixar o acampamento em ônibus oferecidos pelos policiais, sob promessa de triagem e liberação.1
Ela relata que os ônibus rodaram por horas por Brasília, que entrou neles em jejum e ficou sem banheiro e sem água, com pessoas fazendo necessidades em sacolinhas, até chegar ao Ginásio da Polícia Federal por volta das 13h30 e depois ser levada ao Presídio Colmeia.1
Na Colmeia, descreve cela superlotada com 103 mulheres, sem iluminação à noite, banho gelado, falta de papel higiênico, pasta de dente, xampu e outros itens de higiene, além de sensação de abandono pelas autoridades e notícias do exterior chegando por visitas e por presas comuns.1
Para atravessar o período, diz que a leitura a acalmava, que fez amizades, recebeu visitas que traziam conforto e fiscalização das condições e, na saída, foi acolhida por apoiadores com roupas e lanche, orientada a soltar os braços e deixar de andar como detenta.1
Ela situa a soltura apenas como véspera do Dia das Mães, sem dia absoluto adotado, e conta que saiu com tornozeleira eletrônica, com vergonha de entrar em locais públicos e com crise de ansiedade em parada de estrada, além de choro e culpa ao voltar a comer lembrando das companheiras que ficaram.1
Depois, relata retorno gradual ao trabalho administrativo, trabalhando só pela manhã até melhorar das sequelas, necessidade de tratamento psicológico e uso de medicação para dormir, tremores com helicópteros e com barulho de portas de ferro e medo ligado à exposição da tornozeleira.1
A narradora distingue o que viveu do que ouviu de companheiras presas nos prédios e ligadas ao Inquérito 4922, apresenta como hipótese ou divagação a suspeita de medicação na comida e menciona mortes que diz ter visto no ginásio ao mesmo tempo em que registra que a Polícia Federal disse que não houve morte e que era mentira; nenhuma morte ou envenenamento é tratado aqui como fato confirmado.1
Situação documentada
Em relato publicado em outubro de 2023, já solta desde a véspera do Dia das Mães com tornozeleira, descreve retorno gradual ao trabalho, tratamento psicológico e medo provocado por barulhos e pela exposição da tornozeleira.1
A trajetória no tempo
06/10/2023
Publicação da entrevista que reúne o relato da remoção do QG, da permanência na Colmeia e da vida após a soltura.1
Dados da história
- Formação
- trabalho administrativo1
- Idade à época
- Não informada
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
Pena não informada no acervo.
Medidas na trajetória
- Tornozeleira eletrônica
Uso de tornozeleira eletrônica após saída do Presídio Colmeia, com constrangimento em público.1
Informada na data · 06/10/2023
Efeitos relatados
- Trabalho
Retorno gradual ao trabalho administrativo, só pela manhã, até melhorar das sequelas da prisão.1
06/10/2023 - Saúde
Tratamento psicológico após a prisão, com medo e tremores diante de barulhos que lembram portas do presídio.1
06/10/2023 - Convivência
Constrangimento e receio de exposição pública por usar tornozeleira eletrônica, com crise de ansiedade.1
06/10/2023
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Ocupação detalhada não consolidada de forma a preservar o anonimato; acervo traz apenas menção a trabalho administrativo.
- Idade não localizada no acervo.
- Dados familiares não consolidados para preservar anonimato.
- Residência, origem e local de custódia com município não localizados de forma individualizada no acervo.
- Número do processo, imputações e pena não localizados no acervo.
- Datas de início, soltura e duração da custódia não localizadas; saída situada apenas como véspera do Dia das Mães.
- Período e fundamento do uso da tornozeleira não localizados no acervo.
- Apenas uma entrevista indireta reproduzida; sem decisão judicial primária examinada.
Fontes
O BRASIL QUE PRENDE CIDADÃOS POR OPINIÃO
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 06/10/2023
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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