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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Entrevistada não identificada — relato WP2999

Levada do QG em 9 de janeiro ao Presídio Colmeia, a entrevistada relata fome, falta de água e de higiene, alívio em leitura, visitas e apoio na saída, e depois retorno gradual ao trabalho, tratamento psicológico e constrangimento com a tornozeleira.1

Situação conhecida em 06/10/2023 · 1 documentos

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Sobre as fontes

a trajetória vem de uma única entrevista com a mulher, sem nome publicado, reproduzida por Ana Maria Cemin no Bureaucom em outubro de 2023; os atos processuais não têm decisão examinada e não há entrevista adicional nem documentos primários no acervo.

Do QG à Colmeia, uma vida a retomar aos poucos1

A entrevistada, mantida sem nome publicado, conta que chegou a Brasília na noite de 8 de janeiro, acampou no QG e acordou na manhã de 9 de janeiro com ordem para deixar o acampamento em ônibus oferecidos pelos policiais, sob promessa de triagem e liberação.1

Ela relata que os ônibus rodaram por horas por Brasília, que entrou neles em jejum e ficou sem banheiro e sem água, com pessoas fazendo necessidades em sacolinhas, até chegar ao Ginásio da Polícia Federal por volta das 13h30 e depois ser levada ao Presídio Colmeia.1

Na Colmeia, descreve cela superlotada com 103 mulheres, sem iluminação à noite, banho gelado, falta de papel higiênico, pasta de dente, xampu e outros itens de higiene, além de sensação de abandono pelas autoridades e notícias do exterior chegando por visitas e por presas comuns.1

Para atravessar o período, diz que a leitura a acalmava, que fez amizades, recebeu visitas que traziam conforto e fiscalização das condições e, na saída, foi acolhida por apoiadores com roupas e lanche, orientada a soltar os braços e deixar de andar como detenta.1

Ela situa a soltura apenas como véspera do Dia das Mães, sem dia absoluto adotado, e conta que saiu com tornozeleira eletrônica, com vergonha de entrar em locais públicos e com crise de ansiedade em parada de estrada, além de choro e culpa ao voltar a comer lembrando das companheiras que ficaram.1

Depois, relata retorno gradual ao trabalho administrativo, trabalhando só pela manhã até melhorar das sequelas, necessidade de tratamento psicológico e uso de medicação para dormir, tremores com helicópteros e com barulho de portas de ferro e medo ligado à exposição da tornozeleira.1

A narradora distingue o que viveu do que ouviu de companheiras presas nos prédios e ligadas ao Inquérito 4922, apresenta como hipótese ou divagação a suspeita de medicação na comida e menciona mortes que diz ter visto no ginásio ao mesmo tempo em que registra que a Polícia Federal disse que não houve morte e que era mentira; nenhuma morte ou envenenamento é tratado aqui como fato confirmado.1

Situação documentada

Em relato publicado em outubro de 2023, já solta desde a véspera do Dia das Mães com tornozeleira, descreve retorno gradual ao trabalho, tratamento psicológico e medo provocado por barulhos e pela exposição da tornozeleira.1

A trajetória no tempo

06/10/2023

Publicação da entrevista que reúne o relato da remoção do QG, da permanência na Colmeia e da vida após a soltura.1

Dados da história

Formação
trabalho administrativo1
Idade à época
Não informada
Processo e pena

Número do processo não localizado no acervo.

Pena não informada no acervo.

Medidas na trajetória
  • Tornozeleira eletrônica

    Uso de tornozeleira eletrônica após saída do Presídio Colmeia, com constrangimento em público.1

    Informada na data · 06/10/2023
Efeitos relatados
  • Trabalho

    Retorno gradual ao trabalho administrativo, só pela manhã, até melhorar das sequelas da prisão.1

    06/10/2023
  • Saúde

    Tratamento psicológico após a prisão, com medo e tremores diante de barulhos que lembram portas do presídio.1

    06/10/2023
  • Convivência

    Constrangimento e receio de exposição pública por usar tornozeleira eletrônica, com crise de ansiedade.1

    06/10/2023
Pedidos e respostas
  • Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
  • Ocupação detalhada não consolidada de forma a preservar o anonimato; acervo traz apenas menção a trabalho administrativo.
  • Idade não localizada no acervo.
  • Dados familiares não consolidados para preservar anonimato.
  • Residência, origem e local de custódia com município não localizados de forma individualizada no acervo.
  • Número do processo, imputações e pena não localizados no acervo.
  • Datas de início, soltura e duração da custódia não localizadas; saída situada apenas como véspera do Dia das Mães.
  • Período e fundamento do uso da tornozeleira não localizados no acervo.
  • Apenas uma entrevista indireta reproduzida; sem decisão judicial primária examinada.

Fontes

  1. O BRASIL QUE PRENDE CIDADÃOS POR OPINIÃO

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 06/10/2023

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    Documento preservado parcialmente.

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