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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Jupira Silvana da Cruz Rodrigues

Aos 58 anos, Jupira relatava viver na Argentina há sete meses, após sete meses no Colmeia, afastada do marido, filhos e netas que cuidava em Betim.1

Informação publicada em 24/07/2024 · 2 documentos

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Sobre as fontes

A vida e a separação familiar vêm de entrevista direta com Jupira e de reportagens de Ana Maria Cemin no Bureaucom, que também reproduzem entrevista com o defensor Hélio Garcia Ortiz Junior sobre julgamento, tornozeleira e cuidados de saúde; não há decisão judicial examinada na íntegra nem laudos examinados.

Sete meses no Colmeia, sete meses longe da família1

Jupira Silvana da Cruz Rodrigues, então com 58 anos, relatou em julho de 2024 estar no exílio há sete meses, vivendo na Argentina com o coração voltado para a família deixada em Betim, Minas Gerais.1

Dona de casa, casada, mãe de dois filhos biológicos e figura central no cuidado das duas netas pequenas, ela ajudava na criação das meninas para que a filha Priscila pudesse trabalhar tranquila, além de exercer curatela de longa data e manter guarda de outras meninas, segundo o defensor.1

Em 1º de outubro de 2023 ela estava em casa com tornozeleira eletrônica, incluída entre as mulheres que aguardavam o desfecho de julgamento virtual no Supremo Tribunal Federal iniciado em 25 de setembro, com encerramento previsto para 2 de outubro.21

Naquela entrevista o defensor disse que o sexto voto publicado havia formado maioria para condená-la a 14 anos de prisão, seguindo o relator, e que pretendia opor embargos em dois dias após a publicação, afirmando que o cumprimento da pena ocorreria somente após o trânsito em julgado.2

O defensor afirmou ainda que ela não teria circulado pelos prédios da República, não teria feito vídeos de incitação e teria sido condenada pelo simples fato de estar na manifestação, contestando o enquadramento em crimes multitudinários e citando depoimentos de policiais e vídeos em que manifestantes pediriam para não quebrar e varreriam cacos.2

Jupira contou ter ficado antes sete meses presa em Brasília, no Colmeia, e disse que, desde 8 de janeiro de 2023, estivera junto da família apenas cinco meses, em cálculo próprio que não permite reconstruir dia a dia os períodos.1

Ela relatou que foi a Brasília com a filha mais nova e que ambas foram presas dentro do Palácio do Planalto, onde teriam buscado abrigo contra bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha durante o confronto entre polícia e manifestantes.1

No Colmeia, descreveu a comida como horrível e disse ter procurado manter-se emocionalmente firme para sobreviver e voltar à família, preparando a mente e dedicando-se a ajudar outras mulheres presas.1

A saída do Brasil é apresentada na reportagem como decisão não desejada, tomada diante da angústia familiar no início de 2024, com parentes sem dormir, comer ou trabalhar direito por medo de que a Polícia Federal a levasse para cumprir sentença de 14 anos junto à massa carcerária.1

O afastamento atingiu o marido José Rodrigues, seis filhos, as duas netas e a vizinhança com quem gostava de conviver, e interrompeu sobretudo o acompanhamento diário das netas, apontada como uma de suas perdas mais graves.1

Sem a cuidadora, a família se reorganizou: Priscila assumiu uma série de responsabilidades, as crianças passaram a ser cuidadas pela irmã adotiva, e o marido voltou a trabalhar para fazer frente às despesas geradas pela prisão.1

A reportagem acrescenta que o inventário da mãe de Jupira teria sido trancado, travando a partilha de imóveis entre irmãos, sem apresentar o ato que teria determinado o entrave.1

No deslocamento para fora do país, o Uruguai foi o primeiro destino, considerado de custo de vida muito alto, e a Argentina tornou-se mais atrativa por reunir mais brasileiros; inicialmente ela viajou com uma das filhas, então com 16 anos.1

O defensor atribuía a ela comorbidades com laudos comprobatórios, sem que os documentos tenham sido examinados, e destacava bons antecedentes, ocupação lícita, endereço fixo e repúdio a vandalismo, afirmando ausência de provas de dano ao patrimônio.2

Em julho de 2024 seu destino conhecido era a Argentina, longe do marido, dos filhos e das netas, sustentada pelo contato com a filha Priscila e pela ideia de que a história um dia teria fim.1

Situação documentada

Relata viver na Argentina há sete meses, afastada da família, após sete meses anterior no Colmeia; temia cumprimento de pena de 14 anos.1

Deslocamento relatado
Exílio relatado

Exílio relatado na fonte, sem equiparação a refúgio formalmente reconhecido.1

Informação publicada em 24/07/2024

A trajetória no tempo

08/01/2023

Ida a Brasília com a filha mais nova; prisão relatada dentro do Palácio do Planalto durante confronto com a polícia.1

01/10/2023

Em casa com tornozeleira; julgamento virtual em curso desde 25 de setembro, com encerramento previsto para 2 de outubro; defesa relata maioria por 14 anos.2

25/07/2024

Relata estar na Argentina há sete meses, após passagem pelo Uruguai, afastada da família; aponta sete meses anterior no Colmeia.1

Dados da história

Formação
dona de casa2
Idade à época
58 anos · 25/07/20241
Residência informada
Betim · MG124/07/2024
Residência informada
Argentina124/07/2024
Processo e pena

Número do processo não localizado no acervo.

14 anos de pena.1

Medidas na trajetória
Efeitos relatados
  • Convivência

    Afastada do marido, filhos e netas na prisão e no exílio.1

    25/07/2024
  • Convivência

    Deixou de acompanhar as netas que cuidava para a filha trabalhar tranquila.1

    25/07/2024
  • Trabalho

    Marido voltou a trabalhar para custear despesas geradas pela prisão.1

    25/07/2024
  • Patrimônio

    Relato de entrave no inventário materno, sem ato apresentado.1

    25/07/2024
Pedidos e respostas
  • Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
  • Número da ação penal e situação de trânsito em julgado não localizados em fonte vinculada.
  • Multa, indenização coletiva, regime e datas de julgamento e execução não sustentados em fonte vinculada para esta pessoa.
  • Datas de início e fim dos sete meses no Colmeia e dos sete meses fora do país não localizadas; durações aproximadas não permitem soma.
  • Pedidos da defesa e respostas não localizados em fonte vinculada.
  • Comorbidades citadas pelo defensor sem laudos examinados; sem diagnóstico detalhado no acervo vinculado.

Fontes

  1. [Bureaucom] JUPIRA COMPLETA 7 MESES DE EXÍLIO POLÍTICO

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 24/07/2024

    Abrir fonte original ↗

    Documento preservado parcialmente.

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  2. [Bureaucom] CINCO BRASILEIRAS NA MIRA DO STF

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 01/10/2023

    Abrir fonte original ↗

    Documento preservado parcialmente.

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