Sobre as fontes
A trajetória vem de reportagens de Ana Maria Cemin no Bureaucom, com entrevista direta com Elynne em abril de 2024, fala da advogada Taniéli Telles e trechos atribuídos a decisão judicial; atos processuais não tiveram decisão primária examinada e não há notícias posteriores a julho de 2026.
O alívio que durou quatro meses1
Elynne Gomes dos Santos Lima, 50 anos, pesquisadora de institutos em coleta de dados e moradora de Brasília, conheceu o namorado Armando no QG de Brasília em novembro de 2022. Na tarde de 8 de janeiro, após uma semana sem se verem e com Elynne trabalhando muito em pesquisas, ela disse que queria estar com ele e os dois foram em direção à Praça dos Três Poderes. Quando chegaram perto dos prédios e viram a depredação, contou que ficaram chocados e foram embora logo, por não ser aquele o tipo de manifestação a que estavam acostumados.1
A volta para casa não aconteceu como esperado. Dois carros da Polícia Civil trancaram a passagem do veículo em que estavam, cada um foi colocado numa viatura e levado para prestar depoimento. Na delegacia, disseram a Elynne que ela era apenas testemunha e que logo seria liberada. Enquanto aguardava Armando, que ficou mais de uma hora em depoimento, a delegada a chamou para conversar e deu voz de prisão. Ela foi levada para o presídio Colmeia e ele para a Papuda. Elynne disse que saiu do cárcere com tornozeleira eletrônica somente em 6 de maio e que Armando saiu em 9 de maio.1
O período com o equipamento foi marcado por medo e perda de trabalho. Elynne descreveu alívio imediato ao respirar como pessoa livre, sem o medo de voltar ao cárcere pelo simples fato de o equipamento não funcionar. Disse que qualquer deslize poderia levar ao recolhimento por ordem do Supremo Tribunal Federal e que conheceu mulheres do Colmeia que voltaram aos presídios por descumprimento de cautelares. Pesquisadora que precisava viajar para coletar dados, afirmou que sua renda caiu muito por não poder viajar para fazer o trabalho, ao mesmo tempo em que precisava cuidar e sustentar a casa e um filho com autismo.1
Orientada pelos advogados Dra. Taniéli Telles e Dr. Júnior, Elynne assinou o Acordo de Não Persecução Penal ligado ao Inquérito 4921, por incitação ao crime e associação criminosa. Para fechar o acordo, precisou assumir a culpa dos crimes imputados, pagar um salário-mínimo parcelado em duas vezes, depois de negociação que reduziu valor inicial de R$ 5 mil, assistir a 12 horas de curso sobre Democracia e cumprir 150 horas de serviço comunitário. A expectativa relatada era de que, concluídas as exigências em cerca de seis meses, ela não seria mais julgada pelo STF e voltaria a ser ré primária. Em 24 de abril de 2024, foi ao Centro de Monitoramento Eletrônico de Brasília retirar a tornozeleira que usava havia quase um ano, dizendo que largara as paixões políticas e que assinar o acordo fora a decisão mais difícil da vida, por entender que não havia cometido crime nem quebrado nada, mas uma nova chance de sossego.1
Nos meses seguintes, Elynne pagou o valor parcelado, assistiu ao curso e cumpriu o serviço comunitário, com todas as exigências cumpridas até 18 de julho. Esperava ter a vida de volta, casou-se com Armando em meados do ano e planejava inclusive sair de Brasília, cidade que lhe trazia lembranças ruins. Em documento datado de 3 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes revogou o acordo que havia homologado em 8 de abril e acatou o aditamento solicitado pelo Ministério Público, com nova acusação por cinco crimes, incluindo associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, além de pedido de sequestro e indisponibilidade de bens.2
A justificativa reproduzida para a rescisão foi a de que laudo da Polícia Federal relativo ao celular apreendido com Elynne, repassado após a celebração do acordo, comprovaria que ela não se limitara a permanecer no acampamento em frente ao Quartel-General enquanto as manifestações ocorriam na Praça, mas teria aderido e participado ativamente da violência. Com isso, a confissão do acordo não corresponderia à realidade nem abrangeria sua integral participação em 8 de janeiro de 2023, faltando pressuposto do acordo. A defesa contestou: disse receber com indignação a intimação do aditamento e a recolocação da tornozeleira após acordo homologado e cumprido, afirmou que o laudo já estava nos autos antes da celebração e mencionava inexistência de indícios desfavoráveis, e apontou insegurança jurídica para todos que assinaram o acordo. A partir da decisão, Elynne voltou ao uso obrigatório da tornozeleira e às demais cautelares enquanto aguardava julgamento.2
Em novembro de 2024, seu caso apareceu em lista de cinco assistidos da mesma advogada com aditamento após juntada de laudos de celulares, sob a grafia Elyne. Em março de 2026, entrou na lista de 21 manifestantes em julgamento virtual de 27 de fevereiro a 6 de março, identificada como Ellyne Gomes dos Santos Lima, de Vicente Pires, no Distrito Federal, entre cinco réus com voto do relator Alexandre de Moraes para 14 anos de prisão. Em julho de 2026, voltou a figurar entre oito pessoas em novo julgamento, com período indicado de 26 de junho a 4 de agosto, novamente com indicação de 14 anos, em texto que remetia sua história aos artigos de abril e setembro de 2024. O acervo não certifica sentença final nem execução, mantendo em aberto o destino após esse novo julgamento anunciado.453
Situação documentada
Apontada em julho de 2026 entre réus em novo julgamento no STF, com voto indicado de 14 anos de prisão; sentença final e execução não certificadas no acervo.3
A trajetória no tempo
24/04/2024
Retira a tornozeleira eletrônica no CIME de Brasília após assinar o ANPP.1
18/07/2024
Exigências do ANPP descritas como integralmente cumpridas: pagamento parcelado, curso de 12 horas e 150 horas de serviço comunitário.2
03/09/2024
Acordo homologado em 8 de abril é revogado e aditamento do Ministério Público é acatado, com retorno da tornozeleira e demais cautelares.2
07/11/2024
Caso incluído entre cinco aditamentos de assistidos da mesma advogada após juntada de laudos de celulares.4
04/03/2026
Incluída entre cinco réus com voto do relator para 14 anos de prisão em julgamento virtual de 27 de fevereiro a 6 de março.5
13/07/2026
Apontada entre réus em novo julgamento de 26 de junho a 4 de agosto, com indicação de 14 anos de prisão.3
Dados da história
- Formação
- Pesquisadora de institutos (coleta de dados)1
- Idade à época
- 50 anos · 28/04/20241
- Residência informada
- Brasil · DF128/04/2024
- Residência informada
- Brasil · DF504/03/2026
- Local de custódia
- Brasil128/04/2024
Medidas na trajetória
- Tornozeleira eletrônica
Usou tornozeleira por quase um ano até a retirada em 24 de abril de 2024 após ANPP.1
Até 24/04/2024 · Medida histórica · 28/04/2024 - Tornozeleira eletrônica
Volta à obrigatoriedade do uso da tornozeleira eletrônica e demais cautelares após revogação do acordo.2
Desde 03/09/2024 · Informada na data · 09/09/2024 - Deslocamentos restritos
Impedida de viajar para trabalho de pesquisa durante o uso da tornozeleira, com queda de renda.1
Até 24/04/2024 · Medida histórica · 28/04/2024
Efeitos relatados
- Trabalho
Queda de renda por não poder viajar para realizar trabalho de pesquisa durante as restrições.1
28/04/2024 - Convivência
Necessidade de cuidar e sustentar filho com autismo e a casa durante o processo.1
28/04/2024
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Sentença final não certificada; há apenas voto de relator para 14 anos em listas de 2026.
- Execução de prisão ou de pena após 2024 não comprovada no acervo.
- Datas de início e fim das cautelares após setembro de 2024 não localizadas.
- Número completo do processo e situação do aditamento não localizados além do relato.
- Decisão judicial primária de homologação, rescisão e aditamento não examinada; apenas trechos reproduzidos em reportagem.
- Notícias posteriores a julho de 2026 não localizadas no acervo.
Fontes
[Bureaucom] ANPP REPRESENTA UMA NOVA CHANCE, DIZ PRESA POLÍTICA
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 28/04/2024
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[Bureaucom] MORAES ROMPE O ANPP E ELYNNE SERÁ JULGADA
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 09/09/2024
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[Bureaucom] DUAS VEZES JULGADOS, UMA MESMA SENTENÇA
Ana Maria Cemin · 13/07/2026
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[Bureaucom] 08/01: CASOS DE MUDANÇA DE INQUÉRITO CRESCEM A CADA DIA
Ana Maria Cemin · 07/11/2024
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[Bureaucom] 21 MANIFESTANTES DO 8.01 SERÃO JULGADOS ATÉ SEXTA
Ana Maria Cemin · 04/03/2026
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