Sobre as fontes
A vida e as restrições vêm de reportagem de Ana Maria Cemin no Bureaucom e de texto próprio de Marco Túlio Rios Carvalho enviado para publicação e ali reproduzido; os atos processuais e periciais vêm desse relato em causa própria, sem exame dos autos, petições ou laudos citados. A representação disciplinar na OAB vem de notícia de 2024 da mesma autora. Não há entrevista direta nem decisão judicial examinada, e faltam o número do processo no STF, os laudos e o resultado da representação.
Uma vida parada em casa, sob tornozeleira e temor de manicômio1
Marco Túlio Rios Carvalho, advogado de 37 anos, morador de São João del Rei, em Minas Gerais, com os pais idosos, ambos com mais de 75 anos, descreve no início de 2026 uma vida praticamente parada.1
Ele conta que ficou preso em Brasília por quatro meses em 2023 e que, nesse período, a Polícia Federal fez busca e apreensão em sua residência. Por ser advogado, diz ter cumprido a prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.1
Quatro meses de cárcere em 2023 deram lugar, segundo o relato publicado em janeiro de 2026, a outro tipo de confinamento: preso em casa com tornozeleira eletrônica, sem sair à noite, nos fins de semana e nos feriados por causa do 8 de janeiro, além de contas bancárias bloqueadas.1
Marco Túlio se apresenta como réu do 8 de janeiro que responde desde 2023 a processo criminal no Supremo Tribunal Federal por associação criminosa e incitação ao crime. Diz ter sido preso com cerca de duas mil pessoas apenas por estar no acampamento em frente ao quartel-general de Brasília no dia 9 de janeiro de 2023.1
Ele não nega a presença no centro dos acontecimentos. Afirma que fez muitos discursos inflamados no acampamento, com a vontade de que as Forças Armadas agissem, e que foi fotografado dentro do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023, embora sustente que não quebrou nada.1
A partir de 8 de dezembro de 2023, conta ter assumido a própria defesa no processo. Entre janeiro e março de 2024, diz ter se manifestado seis vezes de forma polêmica e pouco convencional, com citações bíblicas e referências a Deus, como forma de protesto contra o que via como violações à individualização de condutas. Em 2024, seu nome apareceu entre os 16 advogados alvo de representação publicada no Diário Eletrônico da OAB, com apuração determinada pelo Conselho Federal para o Tribunal de Ética e Disciplina da OAB do Distrito Federal por participação direta ou indireta nos atos do 8 de janeiro, sem resultado informado no acervo.12
A estratégia em causa própria gerou, na versão dele, uma reação em cadeia. Ele relata que, em 15 de fevereiro de 2024, foi nomeada a Defensoria Pública da União para representá-lo, e que a Defensoria, sem compreender o protesto, requereu em 18 de março de 2024 exame de insanidade mental, determinado em 21 de março de 2024 mesmo sem laudo prévio, uso de remédios psiquiátricos ou tratamento, segundo afirma. O exame só teria ocorrido muito depois, em 11 de novembro de 2025.1
Antes do exame, ele narra outro episódio ligado à fé. Diz que em 25 de setembro de 2025 a Procuradoria-Geral da República apresentou representação a partir de denúncia anônima sobretudo por um post na rede social X em que escreveu que seu único aliado era Jesus. No mesmo dia, relata, foi determinado que a Defensoria prestasse esclarecimentos em cinco dias, sob pena de prisão imediata dele.1
Com a liberdade em risco, ele afirma ter se manifestado pessoalmente no processo em 3 de outubro de 2025, expondo perseguição por ser cristão e sem negar a fé. O caso teria sido tratado como episódio isolado, mas com advertência de que, se repetisse a publicação, seria preso imediatamente.1
O exame de 11 de novembro de 2025, no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte, é o ponto mais dramático do relato. Ele diz ter sido diagnosticado como incapaz e psicótico perigoso por pensamentos delirantes e místicos, com recomendação de tratamento psiquiátrico urgente, o que interpreta como transformação de protestos e de intensa fé em Deus em sintoma de psicose. Nenhum dos laudos foi examinado para esta ficha, de modo que não se conclui sanidade, psicose ou perseguição religiosa.1
Diante do laudo oficial, ele descreve uma corrida contra o tempo. Conta que a Procuradoria se manifestou em 28 de novembro de 2025 querendo afastá-lo da própria representação e nomear curador, sem que lhe fosse aberta vista, e que em 30 de novembro de 2025 apresentou às pressas defesa de 16 páginas impugnando falhas periciais e pedindo nova perícia ou perícia complexa com equipe multidisciplinar. No dia seguinte, 1º de dezembro de 2025, diz ter juntado avaliação particular de perito forense que concluiu que ele não é psicótico e tem plena sanidade mental, laudo também não examinado.1
O destino que ele projeta é incerto e temido: a possibilidade de internação compulsória por anos em manicômio judiciário por decisão próxima. Trata-se de temor prospectivo, sem prova no acervo de internação determinada ou executada. No último retrato disponível, de janeiro de 2026, ele segue em casa, monitorado, com circulação restrita e contas bloqueadas, aguardando os próximos movimentos do processo em que insiste em se defender com a própria voz.1
Situação documentada
Vida descrita como parada em casa, com tornozeleira eletrônica, restrição de saídas à noite, fins de semana e feriados, e contas bancárias bloqueadas; temor de internação relatado, sem internação comprovada.1
A trajetória no tempo
09/01/2023
Prisão relatada no acampamento em frente ao QG de Brasília, com cerca de duas mil pessoas.1
2023
Prisão por quatro meses em Brasília, com busca e apreensão na residência; custódia no 19º Batalhão da PMDF por ser advogado.1
08/12/2023
Assunção da defesa em causa própria no processo no STF, segundo relato próprio.1
15/02/2024
Nomeação relatada da Defensoria Pública da União para representá-lo.1
18/03/2024
Pedido de exame de insanidade mental atribuído à DPU.1
21/03/2024
Determinação relatada do exame de insanidade mental.1
16/07/2024
Notícia inclui seu nome entre 16 advogados alvo de representação disciplinar na OAB do Distrito Federal.2
25/09/2025
Representação relatada da PGR por post sobre Jesus na rede X; determinação relatada de esclarecimentos da DPU em cinco dias sob pena de prisão imediata.1
03/10/2025
Manifestação própria no processo e advertência relatada de prisão imediata em caso de repetição.1
11/11/2025
Exame de insanidade mental no IML de Belo Horizonte, com diagnóstico e recomendação de tratamento segundo relato próprio contestado por ele.1
28/11/2025
Manifestação relatada da PGR sobre o laudo, com pedido de curador.1
30/11/2025
Defesa de 16 páginas apresentada por ele, com impugnação do laudo e pedido de nova perícia ou perícia multidisciplinar.1
01/12/2025
Juntada relatada de laudo particular de sentido contrário, atestando sanidade.1
08/01/2026
Relato de vida parada em casa, com tornozeleira, restrição de saídas e contas bloqueadas.1
Dados da história
- Formação
- advogado1
- Idade à época
- 37 anos · 08/01/20261
- Residência informada
- São João del Rei · MG108/01/2026
- Local de custódia
- Brasília · DF12023
Medidas na trajetória
- Prisão preventiva
Prisão em Brasília por 4 meses em 2023, no 19° Batalhão da PMDF por ser advogado.1
Medida histórica · 2023 - Prisão domiciliar
Descrito como preso em casa no início de 2026.1
Informada na data · 08/01/2026 - Tornozeleira eletrônica
Uso de tornozeleira eletrônica.1
Informada na data · 08/01/2026 - Deslocamentos restritos
Sem sair à noite, fins de semana e feriados.1
Informada na data · 08/01/2026
Efeitos relatados
- Patrimônio
Contas bancárias bloqueadas.1
08/01/2026 - Prática religiosa
Advertência relatada de prisão em caso de nova publicação de manifestação de fé.1
03/10/2025
Pedidos e respostas
Documentos e informações ainda não localizados
- Número do processo no STF não localizado no acervo.
- Pena, condenação ou absolvição não localizadas no acervo.
- Mandados, datas exatas de prisão e soltura de 2023 não comprovados por decisão examinada.
- Datas de início e fim da tornozeleira e das restrições de circulação não localizadas.
- Resposta ao pedido de nova perícia e resultado da representação na OAB não localizados.
- Laudo oficial do IML e laudo particular juntado em dezembro não examinados; sanidade e diagnóstico não concluídos.
- Sem entrevista direta; apenas texto próprio enviado para publicação e reproduzido.
Fontes
Réu do 8.01 denuncia perseguição religiosa
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 08/01/2026
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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ADVOGADOS DO 8 DE JANEIRO SOFREM RETALIAÇÕES DA OAB
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 16/07/2024
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