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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Jacqueline Spirlandeli

Após 64 dias presa em Brasília, Jacqueline perdeu 13 quilos e a casa onde vivia. Montadora de sapatos em Franca, passou a viver em casa inacabada com renda em queda e ajuda de cestas básicas.12

Informação publicada em 05/02/2024 · 2 documentos

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Sobre as fontes

A trajetória vem de duas reportagens de Ana Maria Cemin no Bureaucom, de outubro de 2023 e fevereiro de 2024, construídas a partir de entrevista direta com Jacqueline em Franca; os atos de custódia, a situação da defesa nos autos e documentos sobre saúde e moradia não foram examinados, e parte da entrevista se repete nas duas matérias.

Presa 64 dias, voltou sem casa e com o trabalho em queda12

Jacqueline Spirlandeli, 46 anos, montadora de sapatos há mais de uma década em Franca, São Paulo, passou 64 dias presa em Brasília depois de uma excursão de bate-volta com chegada em 8 de janeiro ao QG. Ela perdeu 13 quilos no cárcere. O marido, Marcelo Henrique Cintra, 38 anos, ficou 67 dias preso.12

Enquanto os dois estavam nos presídios Colmeia e Papuda, o filho mais novo do casal, de 7 anos, foi para a casa dos avós e lá ficou até a volta dos pais. Os dois filhos mais velhos de Jacqueline ficaram na casa da família.12

Essa casa, imóvel de herança compartilhada, foi solicitada por outro herdeiro, sobrinho de Marcelo, que alegou direito a usufruir da herança da avó. Sem obstáculo dos jovens, os pais de Jacqueline construíram às pressas uma casa ao lado da sua, ainda durante a prisão, no sítio deles. É nessa casa inacabada que o casal passou a morar.12

Na volta, o trabalho desandou. A montagem de sapatos de Jacqueline entrou em baixa demanda, com queda grande em janeiro de 2024. Marcelo, que era frentista, ficou sem emprego e passou a bicos como corte de grama e pequenas reformas, depois de passagem por transportadora. A família passou a sobreviver com duas cestas básicas por mês de centros espíritas.21

Em julho de 2023, Marcelo recebeu voz de prisão por não ter pago a pensão dos dois filhos de outro relacionamento, de 14 e 17 anos. Para quitar cerca de R$ 2,5 mil à vista, o casal recorreu a cartão de crédito emprestado, assumindo parcela mensal além da pensão vigente. O empréstimo evitou que ele voltasse à prisão, mas pesou no orçamento e a pensão seguiu atrasando em alguns meses. Em fevereiro de 2024, Jacqueline dizia que a renda estava muito baixa e fora de controle.21

Jacqueline relatou sensibilidade e culpa desde a prisão em Brasília, com choro durante a entrevista e sensação de que tudo de errado ao redor era por sua causa. Disse não gostar de pedir ajuda, mas reconheceu que não conseguia se manter sem apoio. Na atualização de fevereiro de 2024, a Associação dos Familiares das Vítimas de 8 de Janeiro havia conseguido uma psicóloga para ajudá-la a reestruturar as emoções pós-trauma.12

Ela também contou que estava sem advogado desde a saída do presídio e disse considerar uma bênção ter um teto. E guardou um desejo de voltar a Brasília para abraçar duas policiais: uma que a levou à enfermaria, cuidou dela e trouxe o marido até ela após o interrogatório, e outra que avisou ao marido, liberado três dias depois dela, que o endereço da moradia havia mudado para o sítio dos pais.12

Situação documentada

Saída do presídio e retorno a Franca relatados em publicação de 05/02/2024; regime jurídico e cautelares posteriores não informados.1

Custódia
Soltura relatada

Saída do presídio e retorno a Franca relatados em publicação de 05/02/2024; regime jurídico e cautelares posteriores não informados.1

Informação publicada em 05/02/2024

A trajetória no tempo

01/2023

Ida a Brasília com chegada em 8 de janeiro e prisão por 64 dias, com perda de 13 quilos.12

07/2023

Marido recebeu voz de prisão por pensão atrasada; casal quitou valor com cartão de crédito emprestado.12

06/10/2023

Relatava morar em casa nova inacabada no sítio dos pais, trabalho com baixa demanda e sobrevivência com duas cestas básicas mensais.2

01/2024

Baixa grande na demanda da montagem de sapatos.1

05/02/2024

Renda muito baixa e fora de controle; psicóloga conseguida pela ASFAV para reestruturação emocional pós-trauma.1

Dados da história

Formação
montadora de sapatos1
Idade à época
46 anos · 05/02/20241
Residência informada
Franca · SP105/02/2024
Local de custódia
Brasília · DF105/02/2024
Processo e pena

Número do processo não localizado no acervo.

Pena não informada no acervo.

Medidas na trajetória
  • Prisão preventiva

    64 dias de prisão em Brasília, com saída anterior à do marido.1

    Medida histórica · 05/02/2024
Efeitos relatados
  • Saúde

    Perdeu 13 kg durante os 64 dias de prisão.1

    05/02/2024
  • Saúde

    Relata sensibilidade, culpa e abalo emocional após a prisão; com psicóloga obtida pela ASFAV.1

    05/02/2024
  • Convivência

    Filho mais novo ficou com os avós durante a prisão dos pais.2

    06/10/2023
  • Trabalho

    Queda da demanda da montagem de sapatos, com baixa grande em janeiro de 2024 e renda muito baixa.1

    05/02/2024
  • Convivência

    Dependência de duas cestas básicas mensais para sobrevivência.2

    06/10/2023
  • Patrimônio

    Deixou imóvel de herança compartilhada solicitado por outro herdeiro; passou a morar em casa inacabada construída pelos pais.1

    05/02/2024
Pedidos e respostas
  • Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
  • Número do processo, tipificação e pena não localizados no acervo.
  • Fundamento e datas exatas da custódia de 64 dias não examinados em decisão ou registro primário.
  • Situação formal da defesa após relato de ausência de advogado não examinada nos autos.
  • Documentação patrimonial sobre o imóvel de herança e a nova casa não examinada.
  • Registros clínicos sobre perda de peso e saúde emocional não examinados.
  • Notícias posteriores a fevereiro de 2024 não localizadas no acervo.

Fontes

  1. [Bureaucom] SEM CASA PARA VOLTAR DEPOIS DE 9 DE JANEIRO

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 05/02/2024

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    Documento preservado parcialmente.

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  2. [Bureaucom] Sem casa e voz de prisão por pensão atrasada

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 06/10/2023

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    Documento preservado parcialmente.

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