Sobre as fontes
A trajetória vem de um relato em primeira pessoa de Indianara Corrêa, editado pela jornalista Ana Maria Cemin e publicado pelo Bureaucom; atos processuais e condições de custódia aparecem apenas por esse relato, sem decisão judicial ou documento primário examinado no acervo.
Da ala com 142 mulheres à tornozeleira sem loja para vender1
Indianara Corrêa, de 32 anos no relato, chegou ao QG em Brasília por volta das 4h da manhã de 8 de janeiro, montou barraca e descreveu encantamento por conhecer pela primeira vez a capital. Na manhã seguinte, após chamado para ouvir um comunicado, encontrou policiais fortemente armados e embarcou em ônibus disponibilizados para retirar o grupo, sob ameaça de uso da força.1
Ela conta mais de 4 horas trancada em ônibus circulando por Brasília, sem água, comida ou banheiro, até perceber pela ligação da mãe que estavam expostos em rede nacional. Depois assinou uma nota de culpa com 11 crimes, um deles de terrorismo, e só então entendeu que estava presa, mesmo sem ter recebido voz de prisão, sendo levada em seguida para a Penitenciária Colmeia.1
Na Colmeia, descreve uma ala com capacidade para 120 mulheres ocupada por 142, com três vasos sanitários e apenas um funcionando, além de banhos de sol com permanência sentada em chão muito quente. Ficou apenas com a roupa do corpo até que denúncias levaram a diretora a entregar a cada uma camiseta, bermuda, calcinha, sutiã e toalha. O contato com a família foi raro: só em 26 de janeiro conseguiu mandar recado à mãe e teve resposta em 1º de fevereiro, sabendo então que a mãe e as filhas estavam bem.1
Ela registra também gestos de amparo: algumas policiais penais davam palavra de conforto e apoio psicológico, parlamentares ofereciam apoio, visitantes e patriotas levaram comida e bebida, e o advogado Ezequiel a atendeu mesmo sem ela ter dinheiro para pagar. No dia 10 de março, após alvarás chamados por volta das 8h, foi levada com outras mulheres ao Centro Integrado de Monitoramento Eletrônico, onde colocou a tornozeleira eletrônica, e reencontrou o advogado na saída.1
Em 13 de novembro de 2023, Indianara dizia que a restrição de uso de rede social a impedia de vender na antiga loja online, da qual não tinha mais estoque, e que o preconceito e os olhares a impediam de trabalhar. Celebrou a liberdade como a melhor coisa que poderia acontecer, entre gratidão e o peso do estigma que permanecia.1
Situação documentada
Em liberdade com tornozeleira eletrônica e restrição de redes sociais, sem conseguir vender na loja online nem trabalhar pelo estigma relatado.1
A trajetória no tempo
08/01/2023
Chegada ao QG em Brasília de madrugada e montagem de barraca.1
26/01/2023
Primeiro recado enviado à mãe, sem comunicação com o exterior até então.1
01/02/2023
Resposta da mãe; soube que a mãe e as filhas estavam bem.1
10/03/2023
Chamada por alvará, encaminhamento ao CIME e colocação de tornozeleira eletrônica.1
13/11/2023
Relato registra restrição de redes sociais que inviabilizava a loja online e dificuldade de trabalho pelo estigma.1
Dados da história
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
Pena não informada no acervo.
Medidas na trajetória
- Tornozeleira eletrônica
Colocação de tornozeleira eletrônica no CIME após saída em 10 de março.1
Desde 10/03/2023 · Informada na data · 13/11/2023 - Restrição de redes sociais
Restrição de uso de rede social relatada como vigente em novembro de 2023.1
Informada na data · 13/11/2023
Efeitos relatados
- Trabalho
Relata que tinha loja online antes de Brasília e que a restrição de rede social a impedia de vender, sem estoque.1
13/11/2023 - Convivência
Relata estigma que dificultava trabalhar e longa incomunicabilidade, com primeiro contato familiar em 26 de janeiro e resposta em 1º de fevereiro.1
13/11/2023 - Agressão relatada
Relata maus-tratos, incluindo permanência sob sol quente e mais de 4 horas trancada em ônibus sem água, comida ou banheiro.1
13/11/2023
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Município de residência, origem e custódia não localizados no acervo; nome da Colmeia sem cidade fica na medida.
- Número do processo, acusação formal e pena não localizados no acervo; só há menção a nota de culpa com 11 crimes no relato.
- Pedidos da defesa e respostas não localizados no acervo.
- Situação das cautelares e impacto profissional após novembro de 2023 não localizados no acervo.
Fontes
A cada dia que passa me sinto mais fraca (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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