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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Jorge Eduardo Naime Barreto

Coronel da PMDF preso em fevereiro de 2023, Jorge Naime passou da Papuda à tornozeleira, operou cálculos renais em 2024 e era descrito em 2026 cumprindo 16 anos no 19º Batalhão.123

Situação conhecida em 26/06/2026 · 6 documentos

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Jorge Eduardo Naime Barreto

Sobre as fontes

A vida e a saúde relatadas vêm de reportagens da jornalista Ana Maria Cemin no Bureaucom e de entrevistas e textos na voz de Mariana Naime, esposa do coronel; os atos processuais vêm apenas dessas reproduções jornalísticas, sem decisão judicial examinada no acervo, sem entrevista direta com Jorge Eduardo Naime Barreto e sem documentos médicos, financeiros ou carcerários primários.

O coronel chamado das férias para a Esplanada e preso na Papuda13

Jorge Eduardo Naime Barreto, coronel da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como Coronel Naime, comandava o Departamento Operacional da corporação quando foi preso em 7 de fevereiro de 2023 por sua atuação nos dias 8 e 9 de janeiro. A reportagem o situa no Presídio da Papuda, em Brasília, e registra que ele estava de licença desde 3 de janeiro de 2023, com o coronel Paulo José em seu lugar.1

A versão apresentada pela família é que Naime, mesmo de férias, foi chamado na tarde de 8 de janeiro pelo gabinete do governador do Distrito Federal para conter a confusão na Praça dos Três Poderes. Segundo esse relato, ele chegou depois das 16h, quando os três prédios já haviam sido invadidos, assumiu o comando das tropas, mudou a estratégia e retomou a ordem sem ocorrência fatal. Na manhã seguinte, ainda segundo a mesma versão, ele conduziu o encaminhamento dos acampados diante do quartel-general para dezenas de ônibus.1

Antes da Papuda, Naime ficou recolhido em um batalhão militar, em alojamento descrito pela esposa Mariana Fiuza Taveira Naime como sem aspecto de presídio. A transferência para o presídio ocorreu em agosto de 2023, quando outros militares foram presos. Mariana afirma que ele foi o único mantido no Papuda, trancado em cela e cumprindo horários como um condenado, enquanto os demais policiais do Distrito Federal ficavam em batalhões.1

Mariana, casada com Naime desde 2015, diz que o visitava uma hora no sábado e uma hora no domingo, no setor reservado a militares no Complexo da Papuda. Os filhos, segundo ela, só podiam visitar em datas comemorativas, o que significava cerca de quatro visitas em mais de um ano. Ela descreve a casa como uma grande família, com seis filhos de 10 a 27 anos, e afirma que não tinha reservas para custos altos com advogados.1

O impacto financeiro foi relatado em duas etapas. Depois de cinco meses de prisão, veio o bloqueio do salário e dos bens, além da suspensão da função pública, com seis meses sem recursos. Depois houve o desbloqueio, mas o soldo voltou reduzido a 35%, sem valores agregados e sem parcelas pagas apenas a quem está na ativa, ainda com desconto em folha de pensão para três filhos menores.1

Mariana também relata que Naime foi ferido em 8 de janeiro, com queimadura de segundo grau provocada por rojões, e que conseguiu prender dois homens, um deles descrito como conhecedor de técnicas de guerrilha. Ela afirma que fotos entregues a policiais penais não levaram à localização desses presos. Ela ainda descreve um quadro anterior de sobrepeso, diabetes, hipertensão e início de insuficiência renal, com férias planejadas para tratamento e adiadas para cobrir a segurança da posse presidencial.14

Naime deixou a Papuda antes de novembro de 2024 e passou a usar tornozeleira eletrônica, com restrição de sair de casa nos fins de semana imposta pelo Supremo Tribunal Federal. Em novembro de 2024, após fortes dores nas costas e no abdômen, a família entrou em contato com a Central de Monitoramento Eletrônico de Brasília e ele foi levado ao hospital. Na tarde de 16 de novembro passou por cirurgia de retirada de cálculos renais e foi levado ao quarto por volta das 19h para recuperação. Na época, aguardava prazos de alegações finais para julgamento por cinco crimes.25

Em janeiro de 2025, a defesa contestou uma reportagem que dizia que Naime orientara a tropa a tomar cloroquina. O advogado Bruno Jordano afirmou que ele também gravou vídeos pedindo cuidados com a tropa e vacinação urgente contra a Covid, e que apenas disponibilizava teleconsulta com profissional de saúde para associados da associação de oficiais, sem receitar medicamentos. Os vídeos e a matéria contestada não foram examinados, de modo que não há conclusão sobre eficácia, culpa ou campanha reputacional.5

Em julho de 2025, Mariana assumiu publicamente a narrativa da família. Disse que passou a cuidar da casa e dos filhos e a conduzir a luta pública por justiça e verdade, relatando abandono de colegas e instituições, perseguição pública, censura e humilhação institucional, além de sofrimento emocional prolongado com graves consequências psicológicas e financeiras. A menção a mais de 460 dias de prisão permanece como número narrado por ela, sem cálculo verificado de cárcere físico contínuo.4

Em 28 de novembro de 2025, iniciou-se um ciclo de julgamentos virtuais em que o ministro Alexandre de Moraes votou pela condenação de Naime e de outros militares da Polícia Militar do Distrito Federal a 16 anos de prisão, além da perda da função pública, com absolvição de dois nomes e transformação de três denunciados em réus. A própria matéria ressalva que faltavam os votos dos demais ministros do Supremo. A equipe jurídica apontou violação da cadeia de custódia do celular, exclusão de provas favoráveis, negativa de diligências e ausência de indício de conduta dolosa, argumentos reproduzidos sem exame dos autos.63

Em 26 de junho de 2026, a mesma origem editorial já o descrevia como condenado, cumprindo pena de 16 anos no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília, na Execução Penal 189 do Supremo, derivada da Ação Penal 2417. O acervo não informa a data de início dessa execução nem as datas das transições entre batalhão, Papuda, monitoramento eletrônico e execução posterior, que permanecem como pendência de reconstrução.3

Situação documentada

Descrito como condenado a 16 anos e cumprindo pena no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília.3

A trajetória no tempo

07/02/2023

Prisão situada em 7 de fevereiro de 2023, no contexto do comando do Departamento Operacional da PMDF.1

08/2023

Transferência de batalhão militar para o Complexo da Papuda, relatada pela esposa.1

05/2024

Fim relatado da permanência no Presídio da Papuda, com passagem a tornozeleira eletrônica.5

16/11/2024

Cirurgia de retirada de cálculos renais após atendimento hospitalar acionado via central de monitoramento.2

19/01/2025

Defesa contesta reportagem sobre cloroquina e afirma que Naime também incentivou vacinação e teleconsultas.5

17/07/2025

Esposa relata consequências psicológicas, financeiras e reputacionais para a família e assume cuidado da casa e luta pública.4

28/11/2025

Voto de Moraes por 16 anos de prisão e perda da função pública, com ressalva de que faltavam votos dos demais ministros.6

26/06/2026

Descrito como condenado cumprindo pena de 16 anos no 19º Batalhão, na Execução Penal 189 derivada da Ação Penal 2417.3

Dados da história

Formação
Coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, chefe do Departamento Operacional1
Idade à época
52 anos · 17/11/20242
Local de custódia
Brasília · DF122/04/2024
Local de custódia
Brasília · DF326/06/2026
Processo e pena

Ação Penal 2417 · STF3

Execução Penal 189 · STF3

16 anos de pena.3

Medidas na trajetória
  • Prisão preventiva

    Prisão desde 7 de fevereiro de 2023, com passagem por batalhão militar e depois Papuda.1

    Desde 07/02/2023 · Medida histórica · 22/04/2024
  • Tornozeleira eletrônica

    Uso de tornozeleira eletrônica após saída da Papuda, com restrição de sair de casa aos fins de semana.2

    Informada na data · 17/11/2024
  • Execução em regime fechado

    Cumprimento de pena de 16 anos no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília.3

    Informada na data · 26/06/2026
Efeitos relatados
  • Saúde

    Cirurgia de retirada de cálculos renais em 16 de novembro de 2024 após dores e ida ao hospital.2

    16/11/2024
  • Agressão relatada

    Queimadura de segundo grau por rojões em 8 de janeiro, relatada pela esposa, anterior à custódia.1

    22/04/2024
  • Patrimônio

    Bloqueio de salário e bens com suspensão da função, seguido de desbloqueio com soldo reduzido a 35% e desconto de pensão.1

    22/04/2024
  • Convivência

    Visitas dos filhos limitadas a datas comemorativas, cerca de quatro vezes em mais de um ano.1

    22/04/2024
  • Trabalho

    Perda do papel de provedor com suspensão e exoneração da função no DOP após o 8 de janeiro.4

    17/07/2025
Pedidos e respostas
  • Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
  • Pena, multa, indenização, regime e trânsito em julgado não localizados em decisão primária no acervo.
  • Atos e datas das transições entre batalhão, Papuda, monitoramento eletrônico e execução posterior não localizados no acervo.
  • Entrevista direta com Jorge Eduardo Naime Barreto não localizada no acervo.
  • Decisão judicial, autos, documentos médicos, financeiros e carcerários primários não examinados no acervo.

Fontes

  1. [Bureaucom] QUEM O CORONEL NAIME CONTRARIOU PARA ESTAR PRESO NO PAPUDA?

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 22/04/2024

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  2. Coronel naime e operado as pressas (bureaucom.com.br)

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 17/11/2024

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  3. Leitor quero te contar sobre o naime (bureaucom.com.br)

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 26/06/2026

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  4. [Bureaucom] A LÓGICA INVERTIDA DO CASO NAIME

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 17/07/2025

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  5. [Bureaucom] CORONEL NAIME VENCE NARRATIVAS ENGANOSAS

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 19/01/2025

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  6. Moraes absolve dois e condena mais 44 pelo 8 01 (bureaucom.com.br)

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 28/11/2025

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