Sobre as fontes
A vida e a saúde relatadas vêm de reportagens da jornalista Ana Maria Cemin no Bureaucom e de entrevistas e textos na voz de Mariana Naime, esposa do coronel; os atos processuais vêm apenas dessas reproduções jornalísticas, sem decisão judicial examinada no acervo, sem entrevista direta com Jorge Eduardo Naime Barreto e sem documentos médicos, financeiros ou carcerários primários.
O coronel chamado das férias para a Esplanada e preso na Papuda13
Jorge Eduardo Naime Barreto, coronel da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como Coronel Naime, comandava o Departamento Operacional da corporação quando foi preso em 7 de fevereiro de 2023 por sua atuação nos dias 8 e 9 de janeiro. A reportagem o situa no Presídio da Papuda, em Brasília, e registra que ele estava de licença desde 3 de janeiro de 2023, com o coronel Paulo José em seu lugar.1
A versão apresentada pela família é que Naime, mesmo de férias, foi chamado na tarde de 8 de janeiro pelo gabinete do governador do Distrito Federal para conter a confusão na Praça dos Três Poderes. Segundo esse relato, ele chegou depois das 16h, quando os três prédios já haviam sido invadidos, assumiu o comando das tropas, mudou a estratégia e retomou a ordem sem ocorrência fatal. Na manhã seguinte, ainda segundo a mesma versão, ele conduziu o encaminhamento dos acampados diante do quartel-general para dezenas de ônibus.1
Antes da Papuda, Naime ficou recolhido em um batalhão militar, em alojamento descrito pela esposa Mariana Fiuza Taveira Naime como sem aspecto de presídio. A transferência para o presídio ocorreu em agosto de 2023, quando outros militares foram presos. Mariana afirma que ele foi o único mantido no Papuda, trancado em cela e cumprindo horários como um condenado, enquanto os demais policiais do Distrito Federal ficavam em batalhões.1
Mariana, casada com Naime desde 2015, diz que o visitava uma hora no sábado e uma hora no domingo, no setor reservado a militares no Complexo da Papuda. Os filhos, segundo ela, só podiam visitar em datas comemorativas, o que significava cerca de quatro visitas em mais de um ano. Ela descreve a casa como uma grande família, com seis filhos de 10 a 27 anos, e afirma que não tinha reservas para custos altos com advogados.1
O impacto financeiro foi relatado em duas etapas. Depois de cinco meses de prisão, veio o bloqueio do salário e dos bens, além da suspensão da função pública, com seis meses sem recursos. Depois houve o desbloqueio, mas o soldo voltou reduzido a 35%, sem valores agregados e sem parcelas pagas apenas a quem está na ativa, ainda com desconto em folha de pensão para três filhos menores.1
Mariana também relata que Naime foi ferido em 8 de janeiro, com queimadura de segundo grau provocada por rojões, e que conseguiu prender dois homens, um deles descrito como conhecedor de técnicas de guerrilha. Ela afirma que fotos entregues a policiais penais não levaram à localização desses presos. Ela ainda descreve um quadro anterior de sobrepeso, diabetes, hipertensão e início de insuficiência renal, com férias planejadas para tratamento e adiadas para cobrir a segurança da posse presidencial.14
Naime deixou a Papuda antes de novembro de 2024 e passou a usar tornozeleira eletrônica, com restrição de sair de casa nos fins de semana imposta pelo Supremo Tribunal Federal. Em novembro de 2024, após fortes dores nas costas e no abdômen, a família entrou em contato com a Central de Monitoramento Eletrônico de Brasília e ele foi levado ao hospital. Na tarde de 16 de novembro passou por cirurgia de retirada de cálculos renais e foi levado ao quarto por volta das 19h para recuperação. Na época, aguardava prazos de alegações finais para julgamento por cinco crimes.25
Em janeiro de 2025, a defesa contestou uma reportagem que dizia que Naime orientara a tropa a tomar cloroquina. O advogado Bruno Jordano afirmou que ele também gravou vídeos pedindo cuidados com a tropa e vacinação urgente contra a Covid, e que apenas disponibilizava teleconsulta com profissional de saúde para associados da associação de oficiais, sem receitar medicamentos. Os vídeos e a matéria contestada não foram examinados, de modo que não há conclusão sobre eficácia, culpa ou campanha reputacional.5
Em julho de 2025, Mariana assumiu publicamente a narrativa da família. Disse que passou a cuidar da casa e dos filhos e a conduzir a luta pública por justiça e verdade, relatando abandono de colegas e instituições, perseguição pública, censura e humilhação institucional, além de sofrimento emocional prolongado com graves consequências psicológicas e financeiras. A menção a mais de 460 dias de prisão permanece como número narrado por ela, sem cálculo verificado de cárcere físico contínuo.4
Em 28 de novembro de 2025, iniciou-se um ciclo de julgamentos virtuais em que o ministro Alexandre de Moraes votou pela condenação de Naime e de outros militares da Polícia Militar do Distrito Federal a 16 anos de prisão, além da perda da função pública, com absolvição de dois nomes e transformação de três denunciados em réus. A própria matéria ressalva que faltavam os votos dos demais ministros do Supremo. A equipe jurídica apontou violação da cadeia de custódia do celular, exclusão de provas favoráveis, negativa de diligências e ausência de indício de conduta dolosa, argumentos reproduzidos sem exame dos autos.63
Em 26 de junho de 2026, a mesma origem editorial já o descrevia como condenado, cumprindo pena de 16 anos no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília, na Execução Penal 189 do Supremo, derivada da Ação Penal 2417. O acervo não informa a data de início dessa execução nem as datas das transições entre batalhão, Papuda, monitoramento eletrônico e execução posterior, que permanecem como pendência de reconstrução.3
Situação documentada
Descrito como condenado a 16 anos e cumprindo pena no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília.3
A trajetória no tempo
07/02/2023
Prisão situada em 7 de fevereiro de 2023, no contexto do comando do Departamento Operacional da PMDF.1
08/2023
Transferência de batalhão militar para o Complexo da Papuda, relatada pela esposa.1
05/2024
Fim relatado da permanência no Presídio da Papuda, com passagem a tornozeleira eletrônica.5
16/11/2024
Cirurgia de retirada de cálculos renais após atendimento hospitalar acionado via central de monitoramento.2
19/01/2025
Defesa contesta reportagem sobre cloroquina e afirma que Naime também incentivou vacinação e teleconsultas.5
17/07/2025
Esposa relata consequências psicológicas, financeiras e reputacionais para a família e assume cuidado da casa e luta pública.4
28/11/2025
Voto de Moraes por 16 anos de prisão e perda da função pública, com ressalva de que faltavam votos dos demais ministros.6
26/06/2026
Descrito como condenado cumprindo pena de 16 anos no 19º Batalhão, na Execução Penal 189 derivada da Ação Penal 2417.3
Dados da história
- Formação
- Coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, chefe do Departamento Operacional1
- Idade à época
- 52 anos · 17/11/20242
- Local de custódia
- Brasília · DF122/04/2024
- Local de custódia
- Brasília · DF326/06/2026
Medidas na trajetória
- Prisão preventiva
Prisão desde 7 de fevereiro de 2023, com passagem por batalhão militar e depois Papuda.1
Desde 07/02/2023 · Medida histórica · 22/04/2024 - Tornozeleira eletrônica
Uso de tornozeleira eletrônica após saída da Papuda, com restrição de sair de casa aos fins de semana.2
Informada na data · 17/11/2024 - Execução em regime fechado
Cumprimento de pena de 16 anos no 19º Batalhão da Polícia Militar de Brasília.3
Informada na data · 26/06/2026
Efeitos relatados
- Saúde
Cirurgia de retirada de cálculos renais em 16 de novembro de 2024 após dores e ida ao hospital.2
16/11/2024 - Agressão relatada
Queimadura de segundo grau por rojões em 8 de janeiro, relatada pela esposa, anterior à custódia.1
22/04/2024 - Patrimônio
Bloqueio de salário e bens com suspensão da função, seguido de desbloqueio com soldo reduzido a 35% e desconto de pensão.1
22/04/2024 - Convivência
Visitas dos filhos limitadas a datas comemorativas, cerca de quatro vezes em mais de um ano.1
22/04/2024 - Trabalho
Perda do papel de provedor com suspensão e exoneração da função no DOP após o 8 de janeiro.4
17/07/2025
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Pena, multa, indenização, regime e trânsito em julgado não localizados em decisão primária no acervo.
- Atos e datas das transições entre batalhão, Papuda, monitoramento eletrônico e execução posterior não localizados no acervo.
- Entrevista direta com Jorge Eduardo Naime Barreto não localizada no acervo.
- Decisão judicial, autos, documentos médicos, financeiros e carcerários primários não examinados no acervo.
Fontes
[Bureaucom] QUEM O CORONEL NAIME CONTRARIOU PARA ESTAR PRESO NO PAPUDA?
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 22/04/2024
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Coronel naime e operado as pressas (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 17/11/2024
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Leitor quero te contar sobre o naime (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 26/06/2026
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[Bureaucom] A LÓGICA INVERTIDA DO CASO NAIME
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 17/07/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
[Bureaucom] CORONEL NAIME VENCE NARRATIVAS ENGANOSAS
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 19/01/2025
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Moraes absolve dois e condena mais 44 pelo 8 01 (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 28/11/2025
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