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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Simone Tosato

Publicitária de Cuiabá, Simone passou sete meses no Colmeia, fechou a empresa com dívidas e, condenada a 13 anos e meio segundo os relatos, exilou-se, atravessou Darién com fome e assaltos e vivia de faxinas em moradia dividida.12

Informação publicada em 17/03/2026 · 5 documentos

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Simone Tosato

Sobre as fontes

A vida e as dificuldades relatadas vêm de entrevistas e cartas da própria Simone, publicadas por Ana Maria Cemin no Bureaucom, além de um depoimento de Talita Gabriela de Souza que a situa no exílio; os atos processuais e a pena aparecem apenas repercutidos nessas reportagens, sem exame dos autos ou de documentos migratórios e clínicos, e não há lacunas superadas por decisão judicial juntada.

Do Colmeia ao exílio, sem ferramentas para trabalhar1

Simone Aparecida Tosato Dias, publicitária formada em Comunicação Social, morava em Cuiabá e passou sete meses no Presídio Colmeia após os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, período que ela descreveu como só menos doloroso que a perda anterior de um filho.3

Na entrada do Colmeia, na madrugada de 9 de janeiro, ela relatou revista com nudez, roupas sujas, mofadas e furadas, celas superlotadas, fome, água escura, comida azeda e com bicho, além de humilhações iniciais seguidas de pedido de desculpas da direção e de melhora apenas parcial no tratamento.3

Depois da saída, Simone fechou a empresa e passou a conviver com dívidas de aluguéis, condomínios, contas de luz e honorários assumidos por familiares, trabalhando para devolver entre quinhentos e mil reais por mês a quem a ajudou enquanto esteve presa.3

Em fevereiro de 2024, a mesma reportagem trouxe duas informações não conciliadas sobre a condenação: a abertura afirmou que, na noite de 15 para 16 de fevereiro, Simone soube de condenação a 14 anos, enquanto sua fala situava o julgamento virtual entre 16 e 23 de fevereiro e mencionava penas de 14 a 17 anos para quem se abrigou nos prédios.3

Meses depois, a condenação passou a ser apresentada como de 13 anos e meio de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, versão repetida por Simone e por Talita, que em agosto de 2024 a descreveu no autoexílio na Argentina, longe da família e da vida que tinha.14

Na Argentina, Simone manteve contato por cartas: em 18 de setembro de 2024 escreveu à amiga Elisângela, com quem dividira sete meses de cela, alvarás e o retorno a Cuiabá, dizendo que a distância impedia o abraço em um momento de luto e reafirmando amizade e fé.51

Com o pedido de extradição e prisões de brasileiros naquele país ao fim de 2024, ela deixou a Argentina rumo aos Estados Unidos por terra, sem passaporte, perdendo as ferramentas de trabalho — o telefone roubado no caminho e o computador deixado para trás — e ficando sem condições de exercer a profissão como publicitária.1

Na travessia da Floresta de Darién, relatou fome extrema, com três dias sustentada por sobra de papinha de bebê e barraca dividida, dois assaltos, revista corporal completa, queda com possível desmaio no rio e cansaço que a fez temer não alcançar o grupo.1

O relato também registra violência vista contra outros migrantes, sem transformá-la em agressão sofrida por ela: colombianos esfaqueados, relatos de estupros, inclusive de uma menina de nove anos que teria morrido depois, e uma jovem venezuelana violentada com quem caminhou.1

Na Guatemala, relatou retenção com cobrança de dinheiro junto ao grupo de brasileiros, com duas noites em barraco improvisado, sem comida e só com um pouco de água; o mesmo texto alterna a manhã de 23 e o dia 24 de dezembro de 2024 para o início do episódio, divergência preservada sem soma de valores.1

Ao longo do caminho, descreveu apoios concretos: comida e barraca divididas por mães migrantes, empréstimo de uma garota para pagar a embarcação até Bajo Chiquito, acolhida por afegãos no México e contato por telefone com o filho e a mãe, que chamou de bênção após meses incomunicável no Colmeia.1

No México, passou a fazer faxinas quando indicada e a lavar pratos, com jornadas que iam até a madrugada, pagamento irrisório corroído por corridas de aplicativo, moradia dividida com dez pessoas em espaço para duas e isolamento por medo de ser reconhecida como brasileira, deportada ou sequestrada.1

Em março de 2026, era situada em algum país da América Latina que prefere não revelar, ao comentar com esperança o asilo concedido na Argentina a outro brasileiro; essa manifestação expressa expectativa de precedente, não decisão favorável ao próprio caso, e o paradeiro permanece protegido.2

Situação documentada

Situada em país latino-americano não revelado, em exílio; sem decisão de asilo própria noticiada.2

Deslocamento relatado
No exterior

Presença no exterior relatada na fonte; a qualificação não comprova asilo ou refúgio formal.2

Informação publicada em 17/03/2026

A trajetória no tempo

16/02/2024

Reportagem afirma condenação a 14 anos na noite de 15 para 16 de fevereiro, enquanto a entrevista situa o julgamento entre 16 e 23 de fevereiro.3

06/06/2024

Polícia Federal bate à porta da casa em Cuiabá quando Simone já havia saído para o exílio.1

28/08/2024

Talita descreve Simone condenada a 13 anos e meio e em autoexílio na Argentina.4

18/09/2024

Simone escreve carta na Argentina à amiga presa, relembrando sete meses juntas e o retorno a Cuiabá.5

12/2024

Retenção relatada na Guatemala, com datas divergentes de 23 e 24 de dezembro de 2024 e duas noites em barraco.1

23/06/2025

Relato da travessia por 11 fronteiras, perda de ferramentas de trabalho, vida precária e moradia compartilhada.1

17/03/2026

Situada em país latino-americano não revelado; comenta asilo de outro brasileiro como esperança, sem deferimento próprio.2

Dados da história

Formação
Publicitária, formada em Comunicação Social3
Idade à época
49 anos · 16/02/20243
Residência informada
Cuiabá · MT316/02/2024
Processo e pena

Número do processo não localizado no acervo.

13.5 anos de pena.1

Medidas na trajetória
Efeitos relatados
  • Patrimônio

    Fechamento da empresa e dívidas acumuladas após a prisão.3

    16/02/2024
  • Trabalho

    Sem condições de exercer a profissão como publicitária após sair da Argentina.1

    23/06/2025
  • Trabalho

    Passou a fazer faxinas e lavar pratos para sobreviver.1

    23/06/2025
  • Agressão relatada

    Relata dois assaltos em Darién durante a travessia.1

    23/06/2025
  • Agressão relatada

    Relata revista corporal completa durante assalto em Darién.1

    23/06/2025
  • Saúde

    Relata fome extrema, alimentando-se de sobra de papinha de bebê em três dias.1

    23/06/2025
  • Convivência

    Mantém contato por telefone com filho e mãe no exílio.1

    23/06/2025
Pedidos e respostas
  • Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
  • Número do processo e órgão julgador não localizados no acervo.
  • Pena diverge entre 14 anos e 13 anos e meio nas fontes, sem decisão judicial examinada; trânsito em julgado e execução não comprovados.
  • País atual protegido e não revelado; não reidentificar paradeiro.
  • Datas de início e fim dos sete meses no Colmeia não localizadas no acervo.
  • Autos da condenação, documentos migratórios e mídias referidas não examinados.

Fontes

  1. [Bureaucom] DESTROÇOS DA DEMOCRACIA: EXÍLIO DE SANGUE E DESESPERANÇA

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada

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  2. Exilados opinam sobre a conquista de asilo na argentina (bureaucom.com.br)

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 17/03/2026

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  3. [Bureaucom] “CAÍMOS NUMA ARMADILHA DA ESQUERDA”

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada

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  4. [Bureaucom] TALITA DESMAIOU NA PRAÇA DOS 3 PODERES

    Ana Maria Cemin · 28/08/2024

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    Documento preservado parcialmente.

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  5. [Bureaucom] AMIGAS UNIDAS E SEPARADAS PELO 8 DE JANEIRO

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 18/09/2024

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