Sobre as fontes
A história vem de uma entrevista direta com Sílvio Semprini publicada em março de 2025, de uma carta dele publicada em novembro de 2025 e de uma entrevista com a esposa publicada em dezembro de 2025, todas na mesma origem editorial, Bureaucom/Ana Maria Cemin. Os atos processuais e migratórios são apenas relatados por eles; autos, decisões judiciais, documentos de residência e prontuários médicos não foram examinados.
Sem trabalho e ameaçado de perder o abrigo na Itália12
Aos 62 anos, Sílvio Semprini diz viver de caridade para comer, sem conseguir trabalho, num porão sem banheiro, chuveiro, tomada ou calefação mínima na Itália, sob aviso de que teria de deixar o abrigo em poucos dias.1
Sílvio Semprini Júnior, apresentado como brasileiro descendente de italianos de 61 anos em março de 2025, conta que foi preso em 9 de janeiro de 2023 no QG em Brasília e que não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de associação criminosa e incitação ao crime.3
Ele relata ter ficado três meses no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e depois um ano e meio com tornozeleira eletrônica, apresentando-se toda segunda-feira no fórum. Eram intervalos contados por ele, sem datas de início e fim fixadas nos trechos examinados e sem soma como cárcere contínuo.3
Antes de sair do Brasil, trabalhava em restaurantes, sempre na cozinha. Ele diz que, ao se tornar réu, a vida financeira acabou, a família se separou e houve bloqueios de bens e contas, com medo de voltar para a cadeia. A esposa situa crises financeiras que já abalavam o lar desde 2016, o que impede tratar a prisão como causa única das dificuldades.32
Com o risco de nova prisão, ele diz ter proposto à esposa sair do Brasil e ela concordou. Atravessou a fronteira com a Argentina, recebeu auxílio inicial de pessoas, ficou seis meses no país e obteve documento de asilo provisório, mas relata muita dificuldade para trabalhar e se manter.3
Em dezembro do ano anterior à entrevista, com ajuda de amigos para pagar a viagem, foi para a Itália valendo-se da cidadania italiana. O passaporte italiano estava vencido na Argentina e foi renovado sem obstáculo pelo Consulado Italiano em Buenos Aires. Chegou à Itália em 12 de dezembro de 2024 e, três meses depois, dizia tentar se estabilizar no Norte da Itália sem conseguir documentação, moradia e trabalho.3
Ele descreve um impasse burocrático: para ter identidade seria preciso residência e contrato de aluguel, e para alugar seria exigido contrato de trabalho por tempo indeterminado, inalcançável para quem acabara de chegar. A esposa acrescenta que o pedido de residência foi negado e que, para consegui-la, seriam exigidos endereço fixo e contrato de trabalho de longo prazo. São relatos, não decisão migratória examinada.32
Sem dinheiro e sem trabalho, ele dizia então viver com uma mão na frente e outra atrás, sentindo-se como um cachorro correndo atrás do rabo, e anunciava a intenção de sair no dia seguinte de bicicleta para a região de seu antepassado em busca de apoio. A viagem anunciada permanece como intenção, não como deslocamento confirmado.3
Na carta de novembro de 2025, ele volta a dizer que luta para sobreviver há um ano e meio longe da família, seis meses na Argentina e onze meses na Itália, sem pedir nada, e se declara vítima que precisa de ajuda. A expressão apátrida usada por ele é desabafo do autor, não estado jurídico certificado de perda de nacionalidade.12
Em dezembro de 2025, a esposa conta que ele mora num quartinho subterrâneo abaixo do nível da rua, que precisa sair do abrigo até o dia 7 de dezembro, no início do inverno europeu, e que muitas vezes ficam dias sem contato porque ele não tem crédito no celular. O prazo anunciado não comprova o despejo, e a perda efetiva da moradia não está confirmada.2
Ela atribui a ele 72 dias na Papuda, dificuldade para dormir desde então e braço lesionado sem tratamento, sem conseguir ao menos fazer um raio-X por falta de residência. Ele teria aceitado apenas ajuda pontual e recusado cuidar de idosos por falta de condições físicas e psicológicas. São informações da família, sem prontuário examinado e sem diagnóstico certificado.2
Situação documentada
Vivendo em abrigo subterrâneo precário na Itália, com prazo anunciado para sair até 7 de dezembro, sem trabalho, com dificuldade para dormir e lesão no braço sem tratamento, segundo a esposa; despejo e quadro clínico não comprovados por documentos.2
A trajetória no tempo
09/01/2023
Prisão relatada no QG em Brasília.3
12/12/2024
Chegada relatada à Itália.3
25/03/2025
Publicação da entrevista em que relata Papuda, tornozeleira, passagem pela Argentina e dificuldades na Itália.3
19/11/2025
Publicação da carta em que relata indigência em porão sem instalações e risco de ficar sem abrigo.1
01/12/2025
Publicação da entrevista da esposa sobre prazo de saída do abrigo, 72 dias na Papuda, insônia, lesão no braço e entraves de residência e trabalho.2
Dados da história
- Formação
- Trabalhava em restaurantes, na cozinha2
- Idade à época
- 62 anos · 19/11/20251
- Residência informada
- Itália325/03/2025
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
Pena não informada no acervo.
Medidas na trajetória
- Prisão preventiva
Relata três meses preso na Papuda; esposa fala em 72 dias; datas e regime não certificados.3
Medida histórica · 25/03/2025 - Tornozeleira eletrônica
Relata um ano e meio com tornozeleira eletrônica e comparecimento semanal ao fórum.3
Medida histórica · 25/03/2025
Efeitos relatados
- Trabalho
Aos 62 anos, diz não conseguir trabalho e viver de caridade para comer.1
19/11/2025 - Saúde
Esposa relata insônia após 72 dias na Papuda e braço lesionado sem tratamento; sem prontuário examinado.2
01/12/2025 - Convivência
Períodos de dias sem contato com a família por falta de crédito no celular.2
01/12/2025 - Convivência
Relata família separada e perda de tudo após se tornar réu.3
25/03/2025 - Patrimônio
Relata bloqueios de bens e contas.3
25/03/2025
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Número do processo, corte julgadora e pena não localizados em fonte vinculada no acervo.
- Datas de início e fim dos 72 dias/três meses na Papuda e do período de tornozeleira não fixadas no acervo.
- Município de residência e de custódia no Brasil e na Itália não localizados em fonte vinculada.
- Datas de determinação e cessação da prisão e da tornozeleira não examinadas em decisão primária.
- Prontuário, exame de imagem e atendimento da lesão no braço e da insônia não examinados.
- Decisão migratória sobre residência e asilo na Argentina e na Itália não examinada.
Fontes
Sou um degradado paria apatrida (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 19/11/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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Meu marido esta minguando no exilio na italia (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 01/12/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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[Bureaucom] EXÍLIO NA ITÁLIA: “UMA MÃO NA FRENTE E OUTRA ATRÁS”
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 25/03/2025
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