Sobre as fontes
A vida e a saúde relatadas vêm de entrevista da esposa, Norda, reproduzida por Ana Maria Cemin no Bureaucom, e os atos seguintes vêm de reportagens da mesma autora; não há entrevista direta com Nelson nem decisão judicial examinada no acervo, apenas recortes, e documentos primários não foram examinados.
Onze dias isolado, dois anos longe, agora preso em casa12
Nelson Ribeiro Fonseca Júnior, morador de Sorocaba, foi recolhido em casa pela Polícia Federal em 17 de março, na 8ª fase da Operação Lesa Pátria, com mandado de prisão cumprido na residência do casal.12
A esposa, Norda, conta que os dois estavam em Sobradinho com a família dela quando souberam das depredações na Praça dos Três Poderes. Segundo ela, Nelson conhecia manifestantes que tinham saído de Sorocaba para Brasília e decidiu ir até a Praça entre 15h30 e 16h, quando a depredação já teria ocorrido.1
Norda o descreve como um homem solícito que teria ido para ajudar quem passava mal por causa do gás lacrimogêneo, entrado em um dos prédios e saído logo em seguida. Ao sair, diz ela, ele pegou uma bola caída no caminho e tentou entregá-la a policiais do lado de fora, que não a receberam.1
Essa bola, ainda segundo o relato da esposa reproduzido na reportagem, seria um presente assinado por Neimar que fazia parte de uma galeria depredada. De volta a Sorocaba, depois de demitido, Nelson teria ido espontaneamente à Polícia Federal para devolver a bola e prestar depoimento. Essa versão é a da família e não substitui o exame da acusação, que não consta do acervo.1
Nos primeiros dias, Nelson foi levado ao CDP de Sorocaba, onde, segundo a esposa, ficou 11 dias isolado, sem condições adequadas de higiene e alimentação, e sob risco grave porque o presídio seria comandado pelo PCC. Depois, foi transferido para o Centro de Ressocialização no município de Limeira, em São Paulo.1
A prisão agravou um quadro anterior. O casal já enfrentava dificuldades por causa da saúde de Nelson, que sofria de depressão e síndrome de pânico desde a pandemia, após perder seu chefe para a Covid. Com o cárcere, diz a família, o quadro só piorou.1
Quando completava 260 dias preso, Norda dizia que o marido estava com depressão e síndrome do pânico agravadas. Desde a prisão, relatava ela, ele não tomava mais remédio controlado, porque não tinha receituário e não tinha acesso a psiquiatra.1
Como Nelson era o provedor da casa, a família passou por dificuldades imediatas. Até o seguro-desemprego foi bloqueado, segundo a reportagem. Como Norda não trabalhava, os pais dela passaram a viver com ela em Sorocaba para sustentar a casa.1
Manter o vínculo custava caro e tomava tempo. Norda relatava gastar cerca de R$ 450,00 por semana com combustível, pedágio e alimentação levada ao marido, em um trajeto de duas horas para ir e duas horas para voltar entre Sorocaba e Limeira.1
Em casa, a ausência se media pelo filho pequeno, que convivia diariamente com o pai e não parava de chamar por Nelson. As visitas semanais da esposa e do filho passaram a resumir os momentos em família.1
Depois de mais de dois anos preso, Nelson teve a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar. A reportagem descreve que ele ficaria preso em casa, com tornozeleira eletrônica e relatório semanal de monitoramento a cargo da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.2
A domiciliar veio com proibição de usar redes sociais, de se comunicar com pessoas ou conceder entrevistas, e com visitas restritas a advogados, pais e irmãos, além de outras pessoas previamente autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. Em 24 de abril de 2025, ele já era incluído entre os que tinham ido para casa. A autorização de convivência não comprova visitas realizadas, e o dia exato da saída não foi fixado nas fontes examinadas.23
Situação documentada
Incluído entre os que foram para prisão domiciliar em abril de 2025, preso em casa com tornozeleira, restrição a redes, comunicação, entrevistas e visitas.32
A trajetória no tempo
17/03/2023
Recolhido em casa pela Polícia Federal, na residência em Sorocaba, com mandado de prisão na 8ª fase da Operação Lesa Pátria.12
03/2023
Recolhido ao CDP de Sorocaba, onde fica 11 dias isolado, sem condições adequadas de higiene e alimentação, segundo relato da esposa.1
12/2023
Com 260 dias preso e já transferido para o Centro de Ressocialização em Limeira, tem depressão e pânico agravados, sem remédio controlado nem acesso a psiquiatra, segundo a esposa; família sustentada pelos pais dela em Sorocaba.1
04/2025
Após mais de dois anos preso, tem a preventiva convertida em domiciliar, com tornozeleira, monitoramento semanal, proibição de redes, comunicação e entrevistas, e visitas restritas; incluído entre os que foram para casa.234
Dados da história
- Formação
- Não informada
- Idade à época
- Não informada
- Residência informada
- Sorocaba · Brasil1
- Local de custódia
- Limeira · SP1
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
Pena não informada no acervo.
Medidas na trajetória
- Prisão preventiva
Prisão preventiva cumprida por mais de dois anos até a conversão em domiciliar.2
Até 04/2025 · Medida histórica · Data não informada - Prisão domiciliar
Prisão domiciliar: preso em casa com tornozeleira e relatório semanal de monitoramento.2
Desde 04/2025 · Determinação registrada · 04/2025 - Tornozeleira eletrônica
Tornozeleira eletrônica com relatório semanal de monitoramento.2
Desde 04/2025 · Determinação registrada · 04/2025 - Restrição de redes sociais
Proibição de usar redes sociais.2
Desde 04/2025 · Determinação registrada · 04/2025 - Restrição de entrevistas
Proibição de se comunicar com pessoas ou conceder entrevistas.2
Desde 04/2025 · Determinação registrada · 04/2025 - Visitas restritas
Visitas restritas a advogados, pais e irmãos, além de pessoas previamente autorizadas pelo STF.2
Desde 04/2025 · Determinação registrada · 04/2025
Efeitos relatados
- Saúde
Quadro de depressão e síndrome do pânico desde a pandemia, agravado com a prisão.1
Data não informada - Saúde
Sem remédio controlado por falta de receituário e sem acesso a psiquiatra após a prisão, segundo a esposa.1
Data não informada - Trabalho
Seguro-desemprego bloqueado após a prisão, com sustento da casa assumido pelos pais da esposa.1
Data não informada - Convivência
Filho pequeno, que convivia diariamente com o pai, passou a chamar por ele durante a prisão.1
Data não informada - Patrimônio
Gastos semanais de cerca de R$ 450 com deslocamento e alimentação levada à prisão, em trajeto de duas horas por trecho.1
Data não informada
Pedidos e respostas
- Pedidos efetivamente apresentados não localizados no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Ocupação não localizada em fonte com vínculo confirmado no acervo.
- Idade não localizada em fonte com vínculo confirmado no acervo.
- Número do processo, acusação formal, pena e trânsito em julgado não localizados no acervo examinado.
- Atendimento psiquiátrico efetivamente fornecido no cárcere não esclarecido; há apenas relato de falta de acesso.
- Dia exato da saída para a domiciliar e situação posterior a abril de 2025 não localizados no acervo.
- Sem entrevista direta com Nelson; apenas relato da esposa reproduzido em reportagem.
Fontes
260 dias preso meu filho nao para de chamar pelo pai (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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Moraes converte preventiva em domiciliar (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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Fux adia a execucao penal de presos politicos (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
Apos caso debora stf amplia concessao de prisao domiciliar (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · Data não informada
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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