Sobre as fontes
A vida relatada vem de entrevista direta com Marco Antônio Braga Caldas e de carta entregue por sua esposa, ambas publicadas por Ana Maria Cemin no Bureaucom, além de informações atribuídas ao advogado Douglas Eduardo da Conceição Dulce; os atos processuais e administrativos aparecem apenas por esses relatos, sem decisão judicial, parecer do Conselho de Disciplina ou laudos examinados no acervo.
O mergulhador da reserva preso após entrar no Planalto12
Marco Antônio Braga Caldas tinha 50 anos quando contou a sua história: um reservista da Marinha, com especialidade de mergulho, que saiu de Santa Catarina no dia 6 de janeiro de 2023 para ir a Brasília. A chegada do ônibus ao Quartel-General foi por volta das 5 horas da manhã do dia 8 de janeiro.1
Naquele domingo, ele desceu com os acampados até a Praça dos Três Poderes, gravou imagens no caminho e, já perto da praça, ouviu explosões de bombas. Contou que sentiu curiosidade de entrar no prédio do Palácio do Planalto, que estava aberto, deu uma volta pelo hall e permaneceu lá dentro por medida de segurança pessoal quando começou bombardeio com helicópteros.1
Às 17 horas eu já estava preso. Saiu do prédio detido com os demais, foi levado para o Presídio Papuda, onde ficou por três semanas junto com os patriotas, mas depois ficou preso até agosto na carceragem do Grupamento dos Fuzileiros Navais de Brasília. Preso na Marinha, ele ficou em uma solitária, onde depois passou a conversar pelas grades com outro militar.1
Na Papuda, disse ter vivido dias de convivência intensa: Nós nos tornamos uma grande família. Contou que eram centenas de pessoas reunidas em coro e oração, com tempo para conversar nas celas e no pátio, e que essa comunhão deixou marcas.1
De volta para casa de Brasília somente em 9 de agosto de 2023, passou a viver com o uso de tornozeleira eletrônica e a obrigação de comparecer ao fórum de sua cidade toda a segunda-feira para assinar. Disse que foi bem recebido no retorno, mas senti que as pessoas me abandonaram logo em seguida, e descreveu como constrangedor usar a tornozeleira.1
Em carta escrita em cela em Santa Catarina e entregue pela esposa Mônica em 23 de outubro de 2024, voltou a falar do cárcere: Em Brasília fique preso por 7 meses. Agora mais 5 meses. Escreveu que ser retirado da vida em sociedade traz dificuldades de todas as ordens: saúde, financeira, emocional, social, do ir e vir, do expressar-se, da privação de liberdade.41
Na manhã de 6 de junho de 2024, quando a Policia Federal bateu na sua casa para levá-lo, teve início o cumprimento da sentença de 14 anos. O registro de publicação da entrevista é de 3 de junho de 2024, mas o corpo do texto situa o recolhimento e a autorização para publicar naquela manhã de 6 de junho; o acervo preserva essa divergência sem decidir a cronologia apenas pelo metadado.1
Em 13 de dezembro, o relato posterior informou que o ministro Alexandre de Moraes encaminhou para a Marinha do Brasil a determinação para início da pena do Suboficial Marco Caldas. A mesma matéria registrou que seu atual salário de militar da reserva remunerada está limitado a um salário-mínimo.3
A vida militar foi então atingida pela exclusão. As informações são do Dr. Douglas Eduardo da Conceição Dulce: os oficiais do Conselho concluíram que o suboficial possuía plenas condições de continuar nos quadros da instituição, mas a autoridade decidiu pela sua exclusão da Marinha. A defesa afirmou que já foi tomada a medida administrativa cabível para o momento para contestar o ato.56
O próprio advogado ponderou os limites dessa crítica. Disse que tal divergência não possui o poder de invalidar o acórdão, formado pela maioria dos votos dos ministros, reconheceu que o Vice-Almirante Comandante do 5º Distrito Naval não estava vinculado à decisão dos três oficiais superiores que conduziram o conselho e advertiu que minhas palavras sobre essa questão não são absolutas.6
Em setembro de 2025, ele ainda era descrito como condenado a 14 anos de prisão, cumprindo pena em unidade militar. Nenhum documento posterior no acervo informa saída, transferência ou alteração desse cumprimento, e atos, pareceres e laudos permaneceram sem exame.2
Situação documentada
Condenado a 14 anos, descrito como cumprindo pena em unidade militar.2
A trajetória no tempo
08/01/2023
Chegada a Brasília e prisão no fim da tarde após entrada no Palácio do Planalto.1
09/08/2023
Retorno para casa com tornozeleira eletrônica e comparecimento semanal ao fórum.1
06/06/2024
Recolhimento pela Polícia Federal para início do cumprimento da sentença de 14 anos, conforme corpo da entrevista.1
23/10/2024
Carta escrita em cela em Santa Catarina, entregue pela esposa, relata 7 meses em Brasília e mais 5 meses e dificuldades familiares e pessoais.4
13/12/2024
Encaminhamento à Marinha da determinação para início da pena; salário da reserva limitado a um salário-mínimo.3
05/06/2025
Divulgação de que o Conselho concluíra pela permanência, mas a autoridade decidira pela exclusão da Marinha.5
22/07/2025
Defesa informa medida administrativa contra a exclusão e reconhece que divergência de votos não invalida acórdão e que a autoridade não estava vinculada ao Conselho.6
12/09/2025
Descrito como condenado a 14 anos e cumprindo pena em unidade militar.2
Dados da história
- Formação
- reservista da Marinha, suboficial, especialidade de mergulho1
- Idade à época
- 50 anos · 03/06/20241
- Local de custódia
- Brasil · SC423/10/2024
- Local de custódia
- Brasília · DF103/06/2024
Medidas na trajetória
- Tornozeleira eletrônica
Retorno para casa com tornozeleira eletrônica e comparecimento semanal ao fórum.1
Desde 09/08/2023 · Medida histórica · 09/08/2023 - Execução em regime fechado
Cumprimento de pena de 14 anos em unidade militar.2
Informada na data · 12/09/2025
Efeitos relatados
- Convivência
Relatou sentir-se abandonado após o retorno à cidade.1
03/06/2024 - Patrimônio
Salário da reserva remunerada limitado a um salário-mínimo.3
16/12/2024 - Saúde
Descreveu em carta dificuldades de saúde, financeira, emocional e social com a privação de liberdade.4
23/10/2024 - Convivência
Descreveu apoio e convivência com outros presos na Papuda.1
03/06/2024
Pedidos e respostas
Medida administrativa contra a exclusão da Marinha6
Destinatário não informadoResposta não localizada no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Número da ação penal e íntegra da sentença não localizados no acervo vinculado.
- Multa, indenização coletiva, regime inicial e trânsito em julgado não localizados no acervo vinculado.
- Município de residência em Santa Catarina não sustentado com precisão no acervo vinculado.
- Datas de início e fim do monitoramento e do cumprimento em unidade militar não conciliadas; atos primários não examinados.
- Resposta à medida administrativa contra a exclusão militar não localizada no acervo.
- Composição familiar detalhada não sustentada no acervo vinculado.
Fontes
Duas mil pessoas incomodam o sistema (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 03/06/2024
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
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Que brasil e esse (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 12/09/2025
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Primeiro militar expulso pelo 8 de janeiro (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 16/12/2024
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[Bureaucom] UM DESABAFO VINDO DA CELA
Ana Maria Cemin · 23/10/2024
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Expulsao de militar revela divergencias na marinha (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 05/06/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
Expulso da marinha mas nao silenciado (bureaucom.com.br)
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 22/07/2025
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