Sobre as fontes
A trajetória foi reconstruída a partir de reportagens de Ana Maria Cemin no Bureaucom, com entrevista direta com a esposa Elisandra Marques e declarações do advogado Gustavo Nagelstein; os atos processuais aparecem apenas como relatados nessas matérias. Não há entrevista direta com Gilberto nem decisão judicial examinada no acervo, e mandado, denúncia, alvará e registros penitenciários não foram vistos.
Quinze meses sem visita, dois anos preso, até a volta para casa12
Gilberto da Silva Ferreira, soldador de Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, teve a vida interrompida na madrugada de 17 de março de 2023, quando três viaturas da Polícia Federal foram até sua casa, revistaram a residência e o levaram. Ele havia voltado de uma excursão a Brasília em janeiro daquele ano e, desde então, passou a cumprir custódia na Penitenciária Estadual de Canoas, junto a presos comuns, longe da oficina onde trabalhava com o pai.41
A viagem havia começado em 6 de janeiro de 2023, quando Gilberto pegou um ônibus em Passo Fundo com destino a Brasília para participar de uma manifestação e de uma festividade gaúcha do Centro de Tradições Gaúchas do Distrito Federal. O grupo chegou à capital em 8 de janeiro à tarde, comeu o tradicional carreteiro e foi à Praça dos Três Poderes por volta das 17 horas, onde viu confusão e decidiu voltar para o CTG. Como não haveria manifestação no dia seguinte, retornaram ao Rio Grande do Sul, com parada da Polícia Rodoviária Federal na estrada antes de seguirem viagem.4
De todos os amigos de Nova Santa Rita que foram a Brasília, somente ele foi recolhido ao presídio, onde permanecia em fevereiro de 2024. Na Penitenciária Estadual de Canoas, até o direito ao parlatório havia sido retirado, e as trocas de informações ocorriam basicamente por meio do advogado. O defensor Gustavo Nagelstein afirmou então que Gilberto estava preso havia mais de dez meses sem peça formal que descrevesse o que ele teria feito em Brasília no dia 8 de janeiro, sem saber qual conduta ou crime lhe era atribuído.4
O advogado descreveu ainda demora de cinco a seis meses para obter resposta a uma petição no Supremo Tribunal Federal e questionou a manutenção da prisão de alguém ainda não considerado culpado, sem base de investigação apresentada à defesa. Os autos, a denúncia e as datas de petição e resposta não foram examinados no acervo, de modo que a dificuldade narrada permanece registrada como alegação da defesa, sem conversão em conclusão jurídica sobre a existência ou não de acusação.4
O tempo passou e a distância virou rotina. Em junho de 2024, a esposa Elisandra Marques contou que não via o marido desde a prisão e que se comunicava com ele por carta. A família não tinha acesso a Gilberto desde aquela madrugada, e ela dizia que ele estava há 15 meses sem audiência, sem condenação e sem acusação formal, tratado no presídio como um criminoso.1
O motivo informado para a ausência de visitas era sanitário: Gilberto tinha apenas uma dose da vacina contra a Covid e, na prática relatada daquele presídio gaúcho, o preso sem duas doses não podia receber visita. Elisandra dizia não saber o que acontecia em Canoas, afirmava que não havia vacina para o marido lá dentro e que a carteirinha da família de visitantes estava em dia. Norma de visitas, registros vacinais e oferta de vacina no presídio não foram examinados.1
Fora do cárcere, a oficina de tornearia e solda onde Gilberto trabalhava com o pai Alberi Marques Ferreira foi fechada. Ele era o mantenedor da casa, casado com Elisandra, massoterapeuta, pai de duas filhas e avô. Com o marido preso, Elisandra passou a ter dificuldade para trabalhar, dividida entre o cuidado da filha e do sogro enfermo, e descreveu agravamento financeiro e emocional, ainda com ajuda de amigos.41
O pai, Seu Alberi, de 75 anos, colega de trabalho do filho, sofreu um acidente vascular cerebral no início de fevereiro de 2024, foi internado em centro de tratamento intensivo e teve a visão afetada, ficando dependente de cuidados da nora, que se mudou para a casa dele. O AVC, a cegueira e a necessidade de cuidados são do pai, não de Gilberto, e o acervo não estabelece que a prisão tenha causado o adoecimento.41
Em 21 de junho de 2024, veio um anúncio de reencontro: Elisandra avisou que poderia ver o marido no sábado seguinte, após mais de um ano e três meses sem encontro. A publicação diz transcrever mensagem de voz da esposa, mas o texto preservado não traz a transcrição prometida nem confirma a realização da visita. Aquele primeiro acesso, descrito como futuro, não pode ser tratado como comprovação de que a restrição terminou ali.5
Gilberto seguiu preso por mais de dois anos. Em abril de 2025, a prisão preventiva foi substituída por domiciliar, na sequência de medidas semelhantes após o caso de Débora Rodrigues dos Santos em 29 de março de 2025. Em 18 de abril, ele aparecia entre os réus beneficiados, identificado como do Rio Grande do Sul. A lista de concessões, porém, não equivale por si só ao dia da saída.36
Em 13 de abril de 2025, ele havia recebido o alvará, mas continuava preso em Charqueadas porque o documento fora enviado para o presídio de Taquara. A advogada Taniéli Telles, acionada pela família mesmo sem ser a defensora do caso, disse que a secretaria do STF precisava corrigir o ofício e enviar o e-mail para Charqueadas. A transferência anterior de Canoas para Charqueadas não teve data reconstruída, e não se infere recusa deliberada de cumprimento.3
Em 24 de abril de 2025, nova notícia já o incluía entre os que foram para prisão em casa, ao lado de outros custodiados sem julgamento ou trânsito em julgado. O dia exato da saída não foi informado. As regras da domiciliar, conforme relatado, eram rígidas: não sair de casa nem receber visitas além de familiares e advogados, com proibição de dar entrevistas e participar de redes sociais.23
Situação documentada
Incluído entre os que foram para prisão em casa, após alvará com envio inicial equivocado; dia da saída e condições individuais não informados.2
A trajetória no tempo
06/01/2023
Pega ônibus em Passo Fundo com destino a Brasília para manifestação e festividade gaúcha.4
08/01/2023
Chega a Brasília à tarde, vai à Praça dos Três Poderes e retorna ao CTG, depois ao Rio Grande do Sul.4
17/03/2023
Busca domiciliar e prisão pela Polícia Federal em Nova Santa Rita; início da custódia na Penitenciária Estadual de Canoas.41
06/02/2024
Defesa afirma prisão há mais de dez meses sem peça formal sobre a conduta e demora de cinco a seis meses para resposta a petição; pai sofre AVC entre 2 e 3 de fevereiro.4
19/06/2024
Esposa relata 15 meses sem visitas, comunicação por carta e barreira de exigência de duas doses de vacina.1
21/06/2024
Esposa anuncia primeira visita para o sábado seguinte; encontro não confirmado no texto preservado.5
13/04/2025
Recebe alvará de domiciliar, mas permanece em Charqueadas porque documento foi enviado a Taquara; pedido de correção.3
18/04/2025
Aparece em lista de réus com preventiva substituída por domiciliar.6
24/04/2025
Notícia o inclui entre os que foram para prisão em casa.2
Dados da história
- Formação
- Soldador de Nova Santa Rita/RS1
- Idade à época
- 49 anos · 19/06/20241
- Residência informada
- Nova Santa Rita · RS119/06/2024
- Local de custódia
- Canoas · RS119/06/2024
- Local de custódia
- Charqueadas · RS313/04/2025
Processo e pena
Número do processo não localizado no acervo.
Pena não informada no acervo.
Medidas na trajetória
- Prisão preventiva
Custódia em presídio desde 17/03/2023, depois descrita como preventiva substituída por domiciliar em abril de 2025.64
Desde 17/03/2023 · Até 04/2025 · Medida histórica · 17/03/2023 - Prisão domiciliar
Prisão domiciliar com alvará relatado em abril de 2025; ida para casa informada em 24/04/2025.32
Desde 04/2025 · Determinação registrada · 13/04/2025 - Deslocamentos restritos
Proibição de sair de casa na domiciliar.3
Informada na data · 13/04/2025 - Visitas restritas
Visitas restritas a familiares e advogados na domiciliar.3
Informada na data · 13/04/2025 - Restrição de entrevistas
Proibição de dar entrevistas na domiciliar.3
Informada na data · 13/04/2025 - Restrição de redes sociais
Proibição de participar de redes sociais na domiciliar.3
Informada na data · 13/04/2025
Efeitos relatados
- Trabalho
Oficina de tornearia e solda onde trabalhava com o pai foi fechada após a prisão.4
06/02/2024 - Convivência
Sem visitas familiares desde a prisão em março de 2023, com comunicação por carta até junho de 2024.1
19/06/2024 - Convivência
Dificuldades financeiras e emocionais da família, com esposa dividida entre trabalho e cuidado do sogro enfermo e da filha.4
06/02/2024
Pedidos e respostas
Correção do ofício do alvará e envio para o presídio de Charqueadas3
secretaria do STF · Pedido em 13/04/2025Resposta não localizada no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Número do processo, ação penal e pena não localizados em fonte vinculada da matriz.
- Data da transferência de Canoas para Charqueadas não localizada no acervo.
- Dia exato da saída para domiciliar e condições individuais não informados.
- Realização da visita anunciada para junho de 2024 não confirmada no texto preservado.
- Sem entrevista direta com Gilberto; sem decisão judicial primária examinada.
Fontes
FAMÍLIA ESTÁ SEM VER PRESO POLÍTICO HÁ 15 MESES
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 19/06/2024
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6 ↩ Voltar 7 ↩ Voltar 8 ↩ Voltar 9 ↩ Voltar 10 ↩ Voltar 11 ↩ Voltar 12 ↩ Voltar 13 ↩ Voltar 14
FUX ADIA A EXECUÇÃO PENAL DE PRESOS POLÍTICOS
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 24/04/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6
PRESOS VÃO PARA CASA EM PRISÃO DOMICILIAR
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 13/04/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6 ↩ Voltar 7 ↩ Voltar 8 ↩ Voltar 9 ↩ Voltar 10 ↩ Voltar 11 ↩ Voltar 12
PATRIOTA GAÚCHO ESTÁ ESQUECIDO NO PRESIDIO DE CANOAS
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 06/02/2024
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6 ↩ Voltar 7 ↩ Voltar 8 ↩ Voltar 9 ↩ Voltar 10 ↩ Voltar 11 ↩ Voltar 12 ↩ Voltar 13
PRESO POLÍTICO VERÁ FAMÍLIA DEPOIS DE 15 MESES NO CÁRCERE
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 21/06/2024
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
APÓS CASO “DÉBORA”, STF AMPLIA CONCESSÃO DE PRISÃO DOMICILIAR
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 18/04/2025
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
Você pode solicitar alterações nas informações ou a retirada deste perfil.
