Sobre as fontes
A trajetória pessoal e de saúde vem de relatos da mãe, Lucy Mathar, e da esposa, Vanessa, publicados pela jornalista Ana Maria Cemin; os atos processuais aparecem apenas por transcrições e resumos dessas reportagens, sem exame direto dos autos, da sentença ou de documentos clínicos, e não há entrevista direta com Thiago no acervo.
Três anos preso, longe dos filhos, à espera do semiaberto12
Thiago de Assis Mathar foi preso em 8 de janeiro e nunca mais saiu de presídios. Em junho de 2026, depois de mais de três anos de custódia contínua, ele estava no Centro de Ressocialização de Araçatuba, para onde fora levado em 8 de maio daquele ano, aguardando a implementação do regime semiaberto e trabalhando dentro do presídio.1
Na véspera de 8 de janeiro, ele saiu de São José do Rio Preto, onde morava com a esposa e os dois filhos pequenos, em um ônibus de Penápolis rumo a Brasília. Levava biscoitos, doces e água na mochila, que ficou no ônibus quando ele foi até a Praça dos Três Poderes. A mãe conta que ele entrou no Palácio do Planalto por curiosidade, com as portas abertas, sem celular, documentos ou carteira, e acabou preso. No presídio, segundo relato transmitido por Lucy, Thiago disse que na delegacia fora obrigado a assinar sem ler um documento em que admitia ser favorável à intervenção militar, afirmando que era a palavra deles contra a dele.34
Em 14 de setembro de 2023, Lucy assistiu no Supremo Tribunal Federal ao julgamento que condenou o filho a 14 anos de prisão por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Lucy contestou pontos apresentados no julgamento, como a indicação de que ele moraria em Penápolis e seria produtor rural, explicando que ele apenas embarcou em ônibus de lá porque o de São José do Rio Preto estava lotado, e criticou o uso de um episódio antigo da época da faculdade em Garça para chamá-lo de arruaceiro.43
A distância transformou a vida familiar. A esposa Vanessa, única renda da casa, não tinha folgas para viajar à capital federal, e os filhos pequenos só foram ver o pai em Brasília em 11 de dezembro de 2023, onze meses depois da prisão. Naquele reencontro de duas horas no Papuda, a filha estranhou a magreza do pai e teve dificuldade para reconhecê-lo, enquanto o filho percebeu que o local apresentado como trabalho era uma prisão. Thiago jogou bola com o filho e deu colo e abraços aos dois, e Vanessa explicou às crianças que aquele era o trabalho dele para amenizar o choque.2
Ao chegar a Brasília, Thiago pesava mais de 80 kg; depois de onze meses no Papuda, estava com 64 kg, aparência que chocou a família. Em 2024, Lucy preparou o marido para rever o filho 24 quilos mais magro e de cabelo muito curto. Ela relatou que Thiago não se adaptou à comida do presídio, mexia na marmita sem conseguir se animar e passava dias sem conseguir comer o que vinha servido, dependendo de medicação para gastrite e sinusite receitada pelo irmão médico e de alimentos levados nas visitas, como pé de moleque, bolachas e batata palha. Vanessa também relatou intolerância à lactose, que o impedia de comer os doces autorizados para entrada.24
As condições de cela marcaram esse período. Depois do trânsito em julgado, em 9 de abril de 2024, Thiago foi levado ao PDF II da Papuda, onde dividiu uma cela pequena com outros três detentos, sem camas, dormindo no chão em colchões finos, encostado no vaso sanitário, em cela escura para a qual Lucy chegou a levar uma televisão para iluminar. Saíam apenas para banho de sol a cada dois ou três dias, confinados, sem trabalho, estudo ou leitura naquele pavilhão, em contraste com a fase anterior no Centro de Detenção Provisória, onde Thiago trabalhava o dia inteiro e só entrava na cela para dormir.41
Enquanto isso, Lucy passou a dividir a vida entre Votuporanga e Brasília, viajando a cada 15 dias, com despesa superior a R$ 1.000 por viagem, hospedada por amigas na capital para revezar visitas e levar comida e remédios. Em agosto de 2024, o pai viu o filho pela primeira vez após 21 meses de prisão, temendo encontrá-lo transtornado e aliviado ao vê-lo lúcido. As crianças desenvolveram ansiedade, dificuldades de aprendizagem e sofrimento em datas comemorativas, passando a fazer acompanhamento psicológico.41
Depois de dois anos no Complexo da Papuda, Thiago foi transferido para a Penitenciária de Riolândia e, em 8 de maio de 2026, para Araçatuba. Durante a adaptação não pôde receber visitas, o que impediu o abraço de aniversário em 12 de maio. Lucy só o reencontrou em 30 de maio, descrevendo-o como bem, trabalhando e com fé na volta para a família. Pouco antes, em 29 de maio, a defesa pedira a progressão do fechado para o aberto, juntando atestados de trabalho, comportamento e participação no Enem. Em 7 de junho, constou nos autos que o pedido do fechado para o semiaberto não procedia por não existir registro de remições homologadas, com indicação de 1.212 dias cumpridos frente a 1.277 dias para progredir. A matéria registra divergência interna entre aberto e semiaberto e uma certidão datada de 19 de junho, posterior à publicação, pontos que impedem concluir qual pedido e regime foram efetivamente decididos.1
Situação documentada
No Centro de Ressocialização de Araçatuba desde 8 de maio de 2026, trabalhando no presídio e aguardando o semiaberto; pedido de progressão relatado como não acolhido em 7 de junho por falta de remições homologadas, com divergência entre aberto e semiaberto.1
A trajetória no tempo
08/01/2023
Prisão em Brasília no contexto de 8 de janeiro, sem posterior saída dos presídios.1
14/09/2023
Julgamento presencial no STF com condenação a 14 anos de prisão.4
11/12/2023
Primeiro encontro com esposa e filhos no Papuda, após onze meses de cárcere.2
09/04/2024
Trânsito em julgado da sentença, seguido de transferência para o PDF II da Papuda.1
08/2024
Primeira visita do pai após 21 meses de prisão; filho descrito como 24 quilos mais magro.1
08/05/2026
Chegada ao Centro de Ressocialização de Araçatuba, com suspensão de visitas na adaptação.1
29/05/2026
Pedido da defesa de progressão de regime, com atestados de trabalho e documentos de estudo anexados.1
30/05/2026
Reencontro de Lucy com Thiago em Araçatuba; descrito como bem e trabalhando.1
07/06/2026
Registro nos autos de que o pedido de progressão não procedia por ausência de remições homologadas.1
Dados da história
- Formação
- Não informada
- Idade à época
- Não informada
- Residência informada
- São José do Rio Preto · SP413/09/2024
- Local de custódia
- Araçatuba · Brasil110/06/2026
Medidas na trajetória
- Execução em regime fechado
Cumprimento em regime fechado relatado em junho de 2026, com progressão ao semiaberto pendente.1
Informada na data · 10/06/2026
Efeitos relatados
- Saúde
Descrito como 24 quilos mais magro em visita de agosto de 2024.4
13/09/2024 - Saúde
Dificuldade recorrente para comer a marmita do Papuda, com entrega de alimentos e medicação para gastrite e sinusite pela família.4
13/09/2024 - Saúde
De mais de 80 kg ao chegar a Brasília a 64 kg após onze meses no Papuda.2
13/12/2023 - Convivência
Sem visitas durante a adaptação em Araçatuba; reencontro com a mãe em 30 de maio de 2026.1
10/06/2026 - Trabalho
Trabalhando dentro do presídio em Araçatuba enquanto aguardava o semiaberto.1
10/06/2026
Pedidos e respostas
Progressão do regime fechado para regime menos rigoroso1
Destinatário não informado · Pedido em 29/05/2026Registro de que não procede por ausência de remições homologadas · 07/06/2026
Documentos e informações ainda não localizados
- Ocupação não localizada de forma consistente no acervo vinculado.
- Idade não consolidada; menção a 44 anos é retrospectiva e ambígua.
- Número da ação penal e inteiro teor da sentença não localizados no acervo vinculado.
- Multa, indenização coletiva e trânsito em julgado por documento primário não examinados.
- Datas de início e fim das medidas e regime efetivamente executado não comprovados por certidão carcerária.
- Desfecho posterior ao registro de 7 de junho de 2026 sobre progressão não examinado; divergência entre aberto e semiaberto permanece aberta.
Fontes
LUCY MATHAR LUTA PELA LIBERDADE DE SEU FILHO
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 10/06/2026
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6 ↩ Voltar 7 ↩ Voltar 8 ↩ Voltar 9 ↩ Voltar 10 ↩ Voltar 11 ↩ Voltar 12 ↩ Voltar 13 ↩ Voltar 14 ↩ Voltar 15 ↩ Voltar 16 ↩ Voltar 17 ↩ Voltar 18 ↩ Voltar 19 ↩ Voltar 20
[Bureaucom] MEU PAI É UM HERÓI MUITO MAGRO, diz filha de patriota
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 13/12/2023
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6
Lucy assistiu à condenação de seu filho Thiago pelo STF
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 24/09/2023
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
LUCY: FAZ UM ANO QUE O FILHO FOI CONDENADO
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 13/09/2024
Abrir fonte original ↗Documento preservado parcialmente.
↩ Voltar 1 ↩ Voltar 2 ↩ Voltar 3 ↩ Voltar 4 ↩ Voltar 5 ↩ Voltar 6 ↩ Voltar 7 ↩ Voltar 8 ↩ Voltar 9
Você pode solicitar alterações nas informações ou a retirada deste perfil.
