Sobre as fontes
A vida e a saúde relatadas vêm de reportagens da Gazeta do Povo e do Metrópoles e de textos de Ana Maria Cemin no Bureaucom com entrevista direta com o pai, Evandro Brasileiro; os atos processuais vêm apenas do que essas reportagens dizem sobre autorização judicial e notas da Seape-DF. Não há entrevista direta com Lucas nem decisão judicial examinada, e a íntegra dos autos não foi lida.
Minutos algemado no velório da avó13
Lucas Costa Brasileiro, advogado de 30 anos, estava preso no Complexo da Papuda, em regime fechado, cumprindo pena de 14 anos pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Casado e pai de duas filhas, uma delas bebê, ele seguia privado da convivência com a família em agosto de 2025, quando foi levado por poucas horas ao velório da avó sob forte escolta e depois reconduzido à carceragem.31
Segundo a família, Lucas fez concurso público na tarde de 8 de janeiro de 2023 e chegou à Esplanada entre 17h40 e 18h, sendo preso por volta das 18h. A versão familiar é que ele entrou no Palácio do Planalto para se proteger das bombas de gás lacrimogêneo e dos tiros de bala de borracha, sem prova de depredação. Ele permaneceu na Papuda até 19 de agosto, quando saiu com tornozeleira eletrônica, apresentando-se toda segunda-feira conforme determinação, e permaneceu em casa sem voltar a trabalhar enquanto o processo tramitava no Supremo Tribunal Federal.134
Em 6 de junho de 2024, a Polícia Federal buscou Lucas em casa e ele foi novamente recolhido à Papuda. O motivo relatado foi suposto risco de fuga depois que outros envolvidos deixaram o Brasil, descrito em outra reportagem como fundado receio de fuga no âmbito da operação Lesa Pátria. O pai afirmou que nenhum ato de Lucas indicou intenção de se afastar da família no período em que conviveu em liberdade provisória monitorada 24 horas por dia.134
Formado em Direito e aprovado na OAB, Lucas não obteve a solenidade virtual que lhe conferiria o direito de advogar, e o pai disse ter sido preciso entrar com processo judicial para tentar viabilizá-la. Depois da saída com tornozeleira, ele permaneceu dentro de casa e não mais trabalhou, por saber que o processo avançava e que o trânsito em julgado poderia sair a qualquer momento.42
Desde o retorno à Papuda, o pai relatou uma sequência de agressões e condições degradantes. Disse que, três ou quatro dias após o recolhimento de junho, Lucas foi espancado com tapa no rosto e chute nas costas por policiais penais em procedimento com presos comuns, sem corpo de delito nem ocorrência registrada até procurarem a ouvidoria. No fim de 2024, na transferência do Centro de Detenção Provisória para a Penitenciária do Distrito Federal I, ele e outros presos teriam sido algemados em camburão com gás de pimenta acionado antes do fechamento da porta, chegando praticamente desfalecidos.24
O pai afirmou ter ficado 115 dias sem poder ver o filho porque seu nome foi tirado da lista de visitantes, voltando a vê-lo em 9 de janeiro de 2025, assustado porque Lucas estava muito magro. Descreveu cela superlotada, sem ventilação, mofada, com todos dormindo no cimento por falta de colchões, e comida azeda e estragada. Contou que leva a cada 15 dias biscoitos, batata palha, castanha, torradas e doces, insuficientes diante da fome, e que Lucas apresentava fraqueza, muita tosse, dores nas costas com um caroço após fratura no calcanhar em 2023 e novos chutes, aguardando ressonância. As denúncias foram levadas à Defensoria Pública do Distrito Federal, que fez inspeção e encaminhou relatório ao Ministério Público.2
A rotina de visitas também foi interrompida por entraves administrativos. A família visitava Lucas a cada 15 dias, mas o pai ficou mais de 70 dias impossibilitado de visitar porque seu cadastro não foi renovado, levando-o a recorrer ao Ministério Público, enquanto a mãe e os irmãos mantinham as visitas.4
Em 26 de agosto de 2025, Lucas foi autorizado a ir ao velório da avó Joanice no Cemitério Central de Formosa. A Seape-DF alegou inicialmente falta de contingente, condicionando a saída à escolta e citando a distância de cerca de 100 a 120 km entre a penitenciária e o enterro. Após a viralização de vídeo do pai segurando cópia da decisão, a Secretaria mudou de posição. O enterro, previsto para as 16h, foi retido no cemitério até as 18h42, quando Lucas chegou escoltado por cerca de 35 policiais segundo a família, ao menos 30 segundo outra apuração, armados com fuzis, espingardas e pistolas. Algemado e de roupas brancas, ficou apenas alguns minutos junto ao caixão, sem poder conversar com familiares, e foi reconduzido no mesmo dia sem intercorrências, segundo a Seape. O pai resumiu: o filho perdeu os dias com a avó e perdeu uma última homenagem.513
Situação documentada
Preso na Papuda, condenado a 14 anos; levado ao velório em 26/08/2025 e reconduzido à carceragem no mesmo dia.13
A trajetória no tempo
08/01/2023
Detido em 8 de janeiro de 2023 por participação nos atos na Esplanada dos Ministérios.13
06/06/2024
Novamente recolhido à Papuda, buscado em casa pela Polícia Federal por suposto risco de fuga.42
24/01/2025
Publicadas denúncias do pai sobre 115 dias sem visita, cela superlotada sem colchões, comida estragada, gás de pimenta em transferência e agressões; Defensoria fez inspeção e encaminhou relatório ao Ministério Público.2
26/08/2025
Autorizado a ir ao velório da avó em Formosa; após negativa inicial por falta de contingente, levado sob escolta de dezenas de policiais armados, ficando poucos minutos algemado e sem falar com familiares, com recondução no mesmo dia.513
Dados da história
Medidas na trajetória
- Execução em regime fechado
Recolhido à Papuda desde 06/06/2024, cumprindo pena de 14 anos em regime fechado (CDP e PDF I).2
Desde 06/06/2024 · Informada na data · 06/06/2024 - Tornozeleira eletrônica
Após primeira prisão, saiu com tornozeleira eletrônica e apresentação semanal, antes da nova prisão de junho de 2024.4
Medida histórica · 03/12/2024
Efeitos relatados
- Saúde
Cela superlotada, sem ventilação, mofada, dormindo no cimento sem colchões; comida azeda e estragada; fraqueza, tosse, dores nas costas com caroço, aguardando ressonância.2
24/01/2025 - Trabalho
Permaneceu em casa sem trabalhar após liberdade provisória; formado em Direito e aprovado na OAB sem solenidade que conferiria direito de advogar.4
03/12/2024 - Convivência
Casado, pai de duas filhas privadas da convivência; 115 dias sem ver o filho e pai mais de 70 dias sem visitar por cadastro; no velório ficou poucos minutos algemado sem conversar com familiares.1
27/08/2025 - Agressão relatada
Relatos do pai de tapas no rosto e chutes nas costas por policiais penais após recolhimento de junho de 2024 e de gás de pimenta em camburão em transferência para a PDF I.2
24/01/2025
Pedidos e respostas
Denúncias de agressões, cela superlotada e comida estragada levadas à Defensoria, que fez inspeção prisional2
Defensoria Pública do Distrito Federal · Pedido em 24/01/2025Inspeção realizada e relatório encaminhado ao Ministério Público
Pedido do pai ao Ministério Público para conseguir visitar o filho após mais de 70 dias sem renovação de cadastro4
Ministério Público · Pedido em 03/12/2024Resposta não localizada no acervo.
Documentos e informações ainda não localizados
- Número da ação penal e da execução penal não localizados nas fontes vinculadas (MAP/EP constam apenas em fontes de menção a revisar).
- Detalhamento da pena (meses de reclusão/detenção, dias-multa, trânsito em julgado) não localizado nas fontes vinculadas; apenas total de 14 anos relatado.
- Município de residência não localizado nas fontes vinculadas; Formosa aparece apenas como local do velório.
- Decisão judicial da prisão de 06/06/2024 não lida; apenas relato de motivo (risco de fuga).
- Respostas da Defensoria, do Ministério Público e da Vara de Execuções sobre denúncias de agressão e visitas não localizadas no acervo vinculado.
Fontes
8 de janeiro: 35 policiais com fuzis para levar preso a velório
Gabriel Sestrem, Raquel Derevecki · Gazeta do Povo · 27/08/2025
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LUCAS BRASILEIRO SOFRE TORTURA NA PDF I
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 24/01/2025
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Escoltado por dezenas de policiais, preso do 8/1 vai a velório da avó
Willian Matos · Metrópoles · 27/08/2025
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[Bureaucom] 8/01: FILHA DO LUCAS BRASILEIRO NASCE NESSA SEMANA
Ana Maria Cemin · Bureaucom · 03/12/2024
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Presídio alega “falta de contingente” para preso do 8/1 ir a velório
Raquel Derevecki · Gazeta do Povo · 26/08/2025
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