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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Guilherme Rodrigues da Silva

Motorista de aplicativo de Gravataí, Guilherme completou dois anos de tornozeleira sem denúncia. Desligado pela Uber, segue proibido de sair do município e obrigado a comparecer semanalmente ao Fórum.12

Situação conhecida em 27/02/2026 · 4 documentos

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Guilherme Rodrigues da Silva

Sobre as fontes

A trajetória vem de reportagens do Bureaucom, do jornal Seguinte e da Gazeta do Povo, com falas diretas de Guilherme sobre trabalho e restrições; os atos processuais aparecem apenas por trechos citados de decisões sigilosas, sem íntegra dos autos, e não há decisão judicial examinada nem notícias posteriores a fevereiro de 2026.

Dois anos de tornozeleira sem denúncia1

Guilherme Rodrigues da Silva, motorista de aplicativo de Gravataí, Rio Grande do Sul, completou dois anos usando tornozeleira eletrônica sem ter sido denunciado pelo Ministério Público. Em 27 de fevereiro de 2026, saiu de casa para assinar no Fórum, como diz fazer há dois anos, com a rotina limitada pela proibição de sair do município, pelo recolhimento em casa e pela obrigação de comparecimento semanal.1

As medidas começaram no final de fevereiro de 2024. A Polícia Federal esteve em sua casa para levá-lo a colocar a tornozeleira. Há divergência de dias nos relatos: o Seguinte registra busca pessoal em 24 de fevereiro, com apreensão do celular, enquanto Guilherme descreve entrada em casa e condução para colocar a tornozeleira no dia 29 de fevereiro. As fontes não resolvem se foram eventos distintos ou imprecisão, por isso a data é tratada com precisão mensal.13

Segundo o relato publicado pelo Bureaucom, a investigação começou após representação do delegado Rafhael Soares Astini, que pediu prisão preventiva, busca e apreensão e cautelares, alegando incitações a atos antidemocráticos e ameaças a autoridades a partir de um vídeo entregue à Polícia Federal em 24 de janeiro de 2024. O mesmo texto afirma que o relatório policial reconhecia não haver indício de participação de Guilherme nos atos de 8 de janeiro, ida a Brasília, financiamento de viagens ou contato com grupos organizados.1

A prisão preventiva pedida pela Polícia Federal foi negada, mas foram impostas cautelares: tornozeleira eletrônica, proibição de sair de Gravataí, proibição de sair de casa à noite e nos fins de semana, comparecimento semanal ao Fórum de Gravataí e outras restrições. O caso é descrito como petição avulsa sigilosa vinculada ao Inquérito 4921, enquanto o Seguinte identificou a Petição 11.968 entregue na busca e registrou hipótese do dirigente partidário local de que se tratasse do Inquérito 4.781, sem acesso aos autos.21

Guilherme diz que não esteve em Brasília nos atos de 8 de janeiro de 2023 e que gravou um vídeo em casa naquela data. Admite ter feito postagens e vídeos criticando ministros do Supremo Tribunal Federal, mas nega ter incitado morte, ameaçado famílias, defendido derrubada de governo ou golpe, e condena a depredação. Em julho de 2024, supôs que suas publicações no Instagram tivessem incomodado e descreveu um vídeo em que falava em marcha até Brasília e em revogação da eleição, que chamou de fraude. Essa descrição contextualiza suas publicações e não comprova acusação ou relação do vídeo com o procedimento.243

Em julho de 2024, ainda trabalhando como motorista, Guilherme estimou queda de 50% no faturamento e a atribuiu à proibição de sair de Gravataí desde fevereiro, além de relatar restrição noturna e nos fins de semana. Em agosto de 2024, relatou ter sido desligado pela Uber após a plataforma identificar procedimento judicial em seu CPF. Ele descreveu a obrigação de comparecer toda semana ao Fórum para verificação da tornozeleira e o impedimento de sair de casa entre 20h e 6h, em feriados e fins de semana. Também foi registrada proibição de interagir nas redes sociais.32

Mesmo com a tornozeleira, Guilherme disputou a eleição a vereador de Gravataí em 2024. Obteve certidões cíveis e criminais negativas e teve o registro de candidatura deferido, o que permitiu concorrer. A Gazeta do Povo registrou em outubro de 2024 que ele usava a tornozeleira havia sete meses e a atribuía à postagem sobre o 8 de janeiro, defendendo liberdade de expressão durante a campanha feita sob recolhimento e outras cautelares.24

O pedido de retirada da tornozeleira foi rejeitado em 23 de maio de 2025, com manutenção de todas as restrições sob o fundamento citado de que as medidas se mostravam e ainda se mostram necessárias e adequadas. A defesa argumentou não haver fato concreto para o monitoramento, ausência de atos violentos e falta de relação do vídeo com o 8 de janeiro, sem elementos novos na investigação sigilosa. A Procuradoria-Geral da República, que deveria se manifestar em 15 dias, estava há mais de um ano sem apresentar posição.1

Em 27 de fevereiro de 2026, Guilherme seguia impedido de trabalhar como motorista de aplicativo, de circular fora do município e obrigado a comparecer semanalmente ao Fórum, com o próximo comparecimento marcado para a primeira semana de março. Continuava sem denúncia, sem condenação e sem fato concreto que o vinculasse aos atos de Brasília, vivendo sob monitoramento e aguardando definição. Não há no acervo informação posterior sobre sua situação.1

Situação documentada

Seguia com tornozeleira eletrônica e cautelares, sem denúncia do Ministério Público.1

A trajetória no tempo

02/2024

Imposição de tornozeleira e cautelares; busca e apreensão relatadas em fevereiro de 2024.123

16/07/2024

Relata queda de 50% no faturamento como motorista e restrições municipal, noturna e de fins de semana.3

30/08/2024

Relata desligamento pela Uber e disputa a vereança com tornozeleira e candidatura deferida.2

04/10/2024

Registrado usando tornozeleira havia sete meses, sem ter estado em Brasília.4

23/05/2025

Manutenção de todas as cautelares, negada a retirada da tornozeleira.1

27/02/2026

Segue com tornozeleira, proibição de sair do município e comparecimento semanal, sem denúncia.1

Dados da história

Formação
Motorista de aplicativo1
Idade à época
Não informada
Residência informada
Gravataí · RS316/07/2024
Processo e pena

Pet 11.968 · STF2

Inquérito 4921 · STF1

Pena não informada no acervo.

Medidas na trajetória
  • Tornozeleira eletrônica

    Uso de tornozeleira eletrônica desde fevereiro de 2024, mantido até fevereiro de 2026.1

    Desde 02/2024 · Informada na data · 27/02/2026
  • Deslocamentos restritos

    Proibição de sair de Gravataí, recolhimento noturno e nos fins de semana e comparecimento semanal ao Fórum.1

    Desde 02/2024 · Informada na data · 27/02/2026
  • Restrição de redes sociais

    Impedimento de curtir, comentar e publicar em redes sociais.3

    Informada na data · 16/07/2024
Efeitos relatados
  • Trabalho

    Estimou queda de 50% no faturamento como motorista de aplicativo após proibição de sair de Gravataí.3

    16/07/2024
  • Trabalho

    Relatou desligamento pela Uber após identificação de procedimento judicial no CPF.2

    30/08/2024
  • Trabalho

    Segue impedido de trabalhar como motorista de aplicativo sob cautelares.1

    27/02/2026
Pedidos e respostas
  • Retirada da tornozeleira eletrônica1

    Alexandre de Moraes

    Negado; mantidas todas as restrições · 23/05/2025

Documentos e informações ainda não localizados
  • Idade não localizada no acervo.
  • Sem denúncia ou sentença conhecidas; pena não localizada no acervo.
  • Dia exato e eventual cárcere físico em fevereiro de 2024 não resolvidos; divergência entre 24 e 29/02.
  • Íntegra das decisões sigilosas não examinada; apenas trechos citados.
  • Manifestação da PGR e situação posterior a 27/02/2026 não localizadas.

Fontes

  1. HÁ DOIS ANOS VIGIADO SEM TER COMETIDO CRIME

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 27/02/2026

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    Documento preservado parcialmente.

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  2. Gravataiense concorre a vereador com tornozeleira eletrônica por ordem de Alexandre de Moraes; O risco Josef K. - Seguinte

    Seguinte · 30/08/2024

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    Documento preservado parcialmente.

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  3. [Bureaucom] ALGUÉM PODE EXPLICAR POR QUE VIREI UM PRESO POLÍTICO?

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 16/07/2024

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  4. Mais de 30 presos ligados ao 8/1 são candidatos nessas eleições

    Raquel Derevecki · Gazeta do Povo · 04/10/2024

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