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UMA HISTÓRIA DO ACERVO

Sirlene de Souza Zanotti

Psicóloga de Andradina, Sirlene sofreu desidratação e desmaio no cárcere em Ezeiza e, mesmo após a domiciliar autorizada em agosto de 2026, seguia presa em setembro sem poder trabalhar para se sustentar.123

Situação conhecida em 04/09/2026 · 8 documentos

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Sirlene de Souza Zanotti

Sobre as fontes

A vida e a saúde vêm de entrevistas e cartas da própria Sirlene publicadas pelo Bureau de Comunicação, com reprodução pela Gazeta do Povo, CNN Brasil, O Globo, Brasil de Fato e InfoMoney; os atos processuais vêm de notícias do STF e do registro público do Inquérito 4922. Não há entrevista direta além das concedidas a esse acervo, nem decisão judicial primária sobre a pena ou a extradição examinada.

Doente no cárcere, à espera de uma saída que não chega31

Sirlene de Souza Zanotti é psicóloga, mãe de dois filhos e avó de quatro netos, que morava em Andradina, São Paulo, antes de deixar o Brasil. Sua atuação era voltada a pacientes com câncer e a mães e mulheres em situação de vulnerabilidade, com atendimento a pacientes e familiares e um projeto de escuta que depois passou a buscar alimentos e remédios. Ela descreve liberdade como abraçar os netos, ouvir suas histórias, cozinhar para a família e compartilhar momentos simples.24

Em 8 de janeiro de 2023 ela estava na praça em Brasília e conta que entrou no Congresso para se proteger, sendo presa em seguida. Relata ter ficado sete meses presa na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, e depois nove meses com tornozeleira eletrônica, período que descreve com superlotação, falta de banho e comida estragada. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal a 14 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro de 2023, disse que resolveu sair do Brasil por entender que não era justo ser presa porque se manifestar pacificamente não é crime.42

Sirlene está na Argentina desde 24 de maio de 2024, onde diz ter chegado sem nada, pedindo ajuda a amigos e guardando dinheiro para tentar trabalhar com salgados. Conta que entrou legalmente no país, obteve Documento Nacional de Identidade e formulou pedido de asilo, mas que o pedido de extradição feito no segundo semestre de 2024 a travou psicologicamente e a fez evitar sair de casa depois da prisão de outros brasileiros no fim daquele ano. O dinheiro guardado foi usado para aluguel, água, luz e despesas básicas, até acabar e fazê-la precisar pedir ajuda novamente.42

Em 2 de dezembro de 2025 ela foi presa na Argentina, quando tentava ir para o Paraguai. Relata que foi até a aduana com intenção de ir ao Paraguai fazer compras, pois tinha título de residência permanente, e que havia um pedido de extradição, então a prenderam. A detenção ocorreu na passagem fronteiriça de Posadas, na província de Misiones, pela Gendarmeria argentina, na véspera da audiência de extradição de outros cinco brasileiros. Ela foi descrita como a sexta condenada presa na Argentina após pedidos de extradição, e levada primeiro à Unidade Penal 5, em Posadas, antes da transferência para Ezeiza.564

Em janeiro de 2026, de dentro da unidade de Posadas, Sirlene descreveu uma rotina de levantar às 6 da manhã, chamadas, faxina, chimarrão, banho de sol, uma hora de celular pela manhã para falar com a família, almoço, sesta, mais faxina, banho, janta e outra hora de celular antes de dormir. Disse ter sua própria cama e colchão e alimentação simples, mas limpa, e receber visitas duas vezes por semana, às quartas e domingos, com patriotas que se revezavam e levavam frutas, verduras, legumes, leite e biscoitos. Afirmou ter acesso a médicos e remédios, mas questionou a medicação psiquiátrica que recebia, dizendo que recebia fluoxetina porque não havia paroxetina, além de carbamazepina e lítio, com o lítio recebido por doação e já acabando.41

Em carta publicada em 22 de agosto de 2026, Sirlene relatou que em 28 de fevereiro sofreu desidratação tão severa que desmaiou na lavanderia da unidade prisional, num sábado sem médicos, sendo encontrada caída por outra detenta. Contou quatro dias de delírios intensos, confusão mental e perda de controle do corpo, com ajuda pedida por outras presas, e que só depois de uma detenta escrever um documento contra o centro médico recebeu o primeiro atendimento. Disse que precisava de soro, de reposição de vitaminas e minerais e de acompanhamento contínuo, mas não recebeu, tendo apenas uma consulta apressada com psicóloga, e passou a conviver com dores intensas por todo o corpo, perda de coordenação, falhas motoras, dores de cabeça constantes e crises digestivas.12

Na mesma carta ela implorou por um check-up fora da Unidade Penal 7, em Ezeiza, com exames cardíacos e neurológicos, escrevendo que seu corpo dizia já não ter mais emoções, positivas ou negativas. Tentou escrever ao magistrado Daniel Rafecas, mas disse não ter conseguido enviar a carta. Em 26 de agosto a Justiça argentina determinou sua ida para prisão domiciliar, e a expectativa divulgada pelo advogado era de saída até 31 de agosto por trâmites burocráticos. Nove dias depois, em 4 de setembro de 2026, ela continuava atrás das grades, sem previsão oficial de liberação, relatando viver entre criminosas, em alerta constante, com dores, crises de ansiedade e piora física e mental.23

Sirlene escreveu que sairia de uma prisão para outra, porque a domiciliar na Argentina a impedirá de trabalhar e de garantir sua subsistência, dependendo de ajuda de terceiros até que se defina asilo ou extradição. A preocupação expressa é como sobreviverá sem poder ultrapassar a porta da residência para ter renda, depois de meses trancada, da tentativa de comprar material para fazer geladinhos e da vida interrompida longe dos filhos e netos.3

Situação documentada

Presa em Ezeiza em 4 de setembro de 2026, nove dias após o anúncio do alvará de soltura para domiciliar, sem previsão oficial de liberação.3

A trajetória no tempo

03/2024

Condenação a 14 anos de prisão, com início em regime fechado, noticiada como pena pelos atos de 8 de janeiro.7

24/05/2024

Início da vida na Argentina, segundo relato da própria Sirlene.4

02/12/2025

Prisão em Posadas, na fronteira com o Paraguai, pela Gendarmeria argentina.56

22/01/2026

Relato de rotina, visitas e medicação na Unidade Penal 5, em Posadas.4

28/02/2026

Desidratação severa com desmaio na lavanderia, seguida de dias de delírios, segundo carta.1

22/08/2026

Publicação da carta em que pede check-up fora do Penal 7 de Ezeiza.12

26/08/2026

Justiça argentina determina prisão domiciliar; saída esperada até 31 de agosto.2

04/09/2026

Segue presa em Ezeiza, sem previsão oficial de liberação, relatando dores e ansiedade.3

Dados da história

Formação
Psicóloga2
Idade à época
54 anos · 27/08/20262
Origem informada
Andradina · SP227/08/2026
Local de custódia
Posadas · Argentina502/12/2025
Local de custódia
Ezeiza · Argentina227/08/2026
Processo e pena

INQ 4922 · STF8

14 anos de pena.7

Fim do julgamento: 03/2024.

Medidas na trajetória
  • Prisão preventiva

    Prisão na Argentina em 02/12/2025 para fins de extradição, com passagem por Posadas e Ezeiza.5

    Desde 02/12/2025 · Informada na data · 02/12/2025
  • Prisão domiciliar

    Prisão domiciliar determinada em 26/08/2026, ainda não efetivada em 04/09/2026.2

    Desde 26/08/2026 · Determinação registrada · 26/08/2026
Efeitos relatados
  • Saúde

    Desidratação severa com desmaio em 28/02/2026, delírios e falta de soro e acompanhamento, com dores e perda de coordenação.1

    22/08/2026
  • Saúde

    Dores intensas, crises de ansiedade e deterioração física e mental no cárcere em Ezeiza.3

    04/09/2026
  • Trabalho

    Prisão domiciliar impedirá trabalho e subsistência própria.3

    04/09/2026
  • Convivência

    Afastamento da família e dos netos após condenação e exílio.4

    22/01/2026
Pedidos e respostas
  • Autorização de check-up de saúde fora do Penal 7 de Ezeiza1

    Destinatário não informado · Pedido em 22/08/2026

    Resposta não localizada no acervo.

  • Pedido de asilo na Argentina2

    Argentina

    Resposta não localizada no acervo.

Documentos e informações ainda não localizados
  • Acórdão da condenação e detalhes de pena, multa e trânsito em julgado não localizados no acervo.
  • Número da ação penal individual não localizado; apenas Inq 4922 como investigação de origem.
  • Decisão sobre extradição para o Brasil não localizada no acervo.
  • Entrevista direta além das publicadas pelo Bureau de Comunicação não localizada.

Fontes

  1. SIRLENE GRITA POR SOCORRO ATRÁS DOS MUROS ARGENTINOS

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 23/08/2026

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  2. Última brasileira do 8/1 em presídio argentino obtém domiciliar

    Raquel Derevecki · Gazeta do Povo · 27/08/2026

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  3. DESESPERO NO CÁRCERE ARGENTINO

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 04/09/2026

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  4. Sirlene relata a rotina que vive no cárcere na Argentina - Notícia dos presos políticos do 8 de Janeiro

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 23/01/2026

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  5. Foragida do 8/1 é presa na Argentina tentando ir para o Paraguai | Blogs | CNN Brasil

    Luciana Taddeo · CNN Brasil · 03/12/2025

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  6. NOVA PRISÃO NA ARGENTINA EM VÉSPERA DE AUDIÊNCIA DE EXTRADIÇÃO

    Ana Maria Cemin · Bureaucom · 03/12/2025

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    Documento preservado parcialmente.

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  7. Condenada pelo 8 de janeiro, brasileira é presa na Argentina

    O Globo · 03/12/2025

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  8. STF inicia análise de mais 200 denúncias contra pessoas envolvidas nos atos antidemocráticos de 8/1

    Noticias · 24/04/2023

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    Documento preservado parcialmente.

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